Tensão Geopolítica: EUA e Europa em Conflito pela Groenlândia
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, fez um alerta sombrio nesta terça-feira (20), afirmando que o pior ainda está por vir na investida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anexar a Groenlândia. Em discurso ao Parlamento dinamarquês, ela descreveu a situação como um capítulo sombrio que ameaça valores fundamentais como soberania e democracia.
Discurso Alarmante da Líder Dinamarquesa
Frederiksen enfatizou que, embora seja possível negociar aspectos políticos, de segurança e econômicos, não há espaço para barganhas sobre soberania e identidade nacional. Ela acredita que a investida de Trump reflete uma disputa maior pela ordem mundial, transcendendo os interesses diretos da Dinamarca e da Groenlândia. Por isso, reforçou a importância da cooperação com aliados da Otan diante dessa crise sem precedentes.
Preparação para Todos os Cenários
O premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, ecoou a preocupação, declarando que a ilha precisa estar preparada para todos os cenários. Ele destacou que, apesar de considerar improvável o uso de força militar pelos EUA, essa possibilidade não pode ser descartada, dado que Trump a deixou explicitamente em aberto. Nielsen afirmou manter um diálogo contínuo com a União Europeia, a Otan e outros aliados para enfrentar a ameaça.
Escalada de Tensões e Movimentos Militares
Trump protagoniza há semanas uma campanha para anexar a Groenlândia, território ártico pertencente à Dinamarca, justificando-a como vital para o Domo de Ouro, um escudo antimísseis que planeja construir. A Casa Branca não descarta o uso da força, embora também busque uma compra negociada. Em resposta, países europeus como Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia começaram a enviar tropas para a ilha a partir da última quinta-feira (15), com exercícios militares planejados.
Retaliações Econômicas e Diplomacia Frustrada
No sábado (17), Trump anunciou uma tarifa de 10% sobre oito países europeus que se opõem à anexação, medida que irritou a Europa e levou a ameaças de bazuca econômica contra os EUA. Enquanto isso, tentativas diplomáticas, incluindo reuniões com chanceleres dinamarqueses e groenlandeses e uma visita de congressistas norte-americanos à Dinamarca, falharam em resolver o desacordo fundamental sobre o futuro da ilha. O enviado especial de Trump, Jeff Landry, busca um acordo de aquisição nos próximos meses, mas a situação permanece crítica.
Essa crise não só ameaça a estabilidade da Otan, mas também redefine as relações transatlânticas, com Frederiksen alertando que o pior pode estar à frente, exigindo vigilância e união dos aliados.