Especialista alerta: convite de Trump a Lula para Conselho da Paz é 'arapuca' política
Conselho de Trump é 'arapuca' para Brasil, diz especialista

Especialista alerta: convite de Trump a Lula para Conselho da Paz é 'arapuca' política

O convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Brasil integre o recém-criado Conselho da Paz tem gerado um intenso debate no governo federal, com análises que apontam riscos significativos para a política interna e externa do país. O tema foi discutido em entrevista com o cientista político Rodrigo Prando no programa Ponto de Vista da revista VEJA, nesta quinta-feira, 22 de janeiro de 2026, destacando as complexidades envolvidas na decisão.

Documento pouco convencional e centralização de poder

Segundo Rodrigo Prando, o documento de criação do Conselho da Paz foi formulado de maneira pouco convencional, refletindo uma estratégia de Trump para centralizar protagonismo na iniciativa internacional. O especialista observa que o presidente americano demonstra dificuldade em não ocupar o centro das atenções em ações multilaterais, o que pode comprometer a autonomia dos países membros.

Prando enfatiza que tanto Trump quanto o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva já expressaram interesse em liderar esforços globais pela paz. No entanto, ele alerta que a proposta americana pode funcionar como uma "arapuca", ao esvaziar o papel tradicional da Organização das Nações Unidas (ONU) e criar uma estrutura altamente controlada por Trump e seus aliados.

Enfraquecimento da ONU e custos financeiros

Na avaliação do analista, o Conselho da Paz representa uma jogada política que pode enfraquecer a ONU, instituição histórica na promoção da paz mundial. A adesão ao conselho exigiria uma contribuição financeira estimada em 1 bilhão de dólares do Brasil, um valor substancial que poderia ser direcionado a outras prioridades nacionais.

Além disso, Prando destaca que o órgão teria caráter majoritariamente consultivo, mas com forte controle exercido por Trump, submetendo os membros a uma estrutura centralizada e potencialmente limitando sua influência nas decisões. Isso levanta questões sobre a soberania e a independência política do Brasil em fóruns internacionais.

Impacto na política interna e cenário eleitoral

O impacto da decisão também pesa no cálculo do governo brasileiro, especialmente em um ano eleitoral. Prando citou uma entrevista recente de Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, na qual foram antecipados os principais eixos que o governo pretende enfatizar, como a defesa da soberania, a justiça tributária e pautas trabalhistas.

Nesse contexto, a participação em um conselho liderado por Trump poderia gerar desgaste político interno, ao conflitar com essas prioridades e com a imagem de autonomia que o governo busca projetar. A decisão, portanto, não é apenas diplomática, mas também estratégica para a política doméstica, influenciando debates e alianças no cenário nacional.

O governo federal deve discutir a possibilidade de aceitar ou não o convite na próxima semana, em uma reunião que promete ser crucial para definir o posicionamento do Brasil no tabuleiro geopolítico global.