Especialista alerta: Conselho de Paz de Trump seria 'pegadinha' para o Brasil e cobra US$ 1 bi por país
Conselho de Paz de Trump seria 'pegadinha' para o Brasil, diz especialista

Especialista alerta: Conselho de Paz de Trump seria 'pegadinha' para o Brasil e cobra US$ 1 bi por país

O economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena fez duras críticas à proposta do Conselho de Paz criado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump, classificando a iniciativa como "uma espécie de pegadinha" para países como o Brasil. Em entrevista ao Conexão Record News nesta terça-feira (20), o especialista destacou os riscos econômicos e políticos envolvidos na participação brasileira no projeto.

Convite controverso e resistência ucraniana

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou ter recebido convite para integrar o conselho, mas expressou dificuldades significativas em trabalhar ao lado da Rússia em qualquer tipo de iniciativa conjunta. Ao todo, sessenta nações foram convidadas para participar do grupo que teria como objetivo principal a segurança e reconstrução da Faixa de Gaza, região palestina devastada por conflitos recentes.

Lucena reconhece que a Ucrânia teria experiência valiosa para contribuir com processos de reconstrução, considerando seu próprio contexto pós-guerra. No entanto, o especialista questiona a viabilidade prática de uma cooperação envolvendo nações em conflito direto, como Rússia e Ucrânia.

Custo bilionário e pressão eleitoral

Um dos aspectos mais controversos da proposta é a cobrança de US$ 1 bilhão (equivalente a aproximadamente R$ 5,4 bilhões na cotação atual) por cada país que aceitar integrar o conselho. Segundo Lucena, este valor representa um obstáculo financeiro considerável para a maioria das nações convidadas.

O economista analisa que a iniciativa parece estar mais focada em resultados eleitorais do que em soluções duradouras para a paz. "A proposta do conselho é uma tentativa do presidente Trump de mostrar resultados práticos e diretos, focado nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos", afirmou Lucena durante a entrevista.

Riscos específicos para o Brasil

Para o Brasil, a participação no conselho traria consequências particularmente preocupantes. Lucena alerta que o país estaria sujeito a pressões comerciais e possíveis retaliações caso não alinhasse completamente com as posições de Trump.

"O Brasil estaria disposto, teria que entrar em uma situação apoiando 100% do que Trump coloca com o risco de abrir novamente as tarifas aqui no nosso país. Nós não teremos muito o que fazer", enfatizou o especialista, referindo-se às barreiras comerciais que poderiam ser reimplementadas contra produtos brasileiros.

Dúvidas sobre a viabilidade do projeto

Além das críticas à estrutura financeira e política do conselho, Lucena expressou ceticismo substancial sobre a realização concreta do projeto de reconstrução da Faixa de Gaza. O especialista questiona se a iniciativa realmente se materializará ou se permanecerá como uma proposta mais simbólica do que prática.

A análise de Lucena destaca como iniciativas internacionais de paz podem se tornar instrumentos de pressão política e econômica, especialmente quando envolvem contribuições financeiras vultuosas e condicionalidades comerciais. O caso do Conselho de Paz de Trump ilustra os desafios complexos que países como o Brasil enfrentam ao navegar em propostas multilaterais com implicações financeiras significativas e potenciais consequências diplomáticas.