Lula e Trump se encontram: reunião pode ser tensa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com Donald Trump nesta quinta-feira (7), ao meio-dia, nos Estados Unidos. Será o terceiro encontro desde que o republicano voltou à Casa Branca. O histórico de Trump em reuniões bilaterais adiciona um componente extra de tensão, já que ele costuma fazer declarações ácidas e gerar constrangimentos públicos. Relembre cinco momentos em que Trump humilhou ou protagonizou situações desconfortáveis com líderes estrangeiros.
O 'genocídio branco' na África do Sul
Em maio do ano passado, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa foi confrontado por Trump sobre alegações de um suposto 'genocídio branco'. Após uma conversa amigável inicial, Trump pediu à sua equipe que exibisse vídeos que, segundo ele, mostrariam evidências desse crime, incluindo túmulos de milhares de fazendeiros brancos. Ramaphosa assistiu em silêncio e depois afirmou: 'Gostaria de saber onde fica isso porque nunca vi esses vídeos'. A África do Sul rejeita a alegação; as taxas de homicídio são altas, mas a maioria das vítimas é negra. Quando Ramaphosa apresentou esses dados, Trump o interrompeu: 'Os fazendeiros não são negros'. O presidente sul-africano respondeu em tom apaziguador. Trump acusava o país de confiscar terras e fomentar violência contra brancos. Meses depois, disse que não convidaria a África do Sul para o G20 por causa do suposto 'genocídio branco'.
Japão: 'Por que não nos avisaram sobre Pearl Harbor?'
Em março deste ano, durante encontro na Casa Branca com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, Trump surpreendeu ao responder a uma pergunta de uma repórter japonesa sobre por que não havia avisado aliados sobre seus planos para a guerra no Irã. 'Não queríamos dar muitos sinais... queríamos surpreendê-los. Quem sabe mais sobre surpresas do que o Japão? Por que vocês não nos avisaram sobre Pearl Harbor?' A primeira-ministra pareceu surpresa, franziu os lábios e arregalou os olhos. Na Segunda Guerra, EUA e Japão estavam em lados opostos. Atualmente, Takaichi e Trump mantêm alinhamento político.
O bate-boca com Zelensky
Em meio à guerra entre Ucrânia e Rússia, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky foi à Casa Branca para negociar a exploração de terras raras. O clima esquentou nos minutos finais, quando Zelensky chamou Putin de 'assassino'. O vice-presidente JD Vance disse: 'Acho desrespeitoso da sua parte vir ao Salão Oval e tentar debater isso diante da mídia americana'. Trump levantou a voz: 'Você está apostando com a vida de milhões de pessoas. Você está apostando com a Terceira Guerra Mundial. Seu povo é muito corajoso, mas ou vocês fazem um acordo ou estamos fora. E se estivermos fora, vocês terão que lutar sozinhos'. Os EUA são aliados da Ucrânia.
'O Canadá não está à venda'
Em junho de 2025, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, encontrou Trump na Casa Branca. Trump vinha dizendo que o Canadá seria o 51º estado dos EUA e chamou a integração de 'casamento perfeito'. Carney rejeitou firmemente: 'Não está à venda, não estará à venda — nunca'. Trump rebateu: 'Nunca diga nunca, nunca diga nunca'.
Gaza: 'vamos tomá-la, vamos mantê-la, vamos valorizá-la'
Pouco após tomar posse, Trump recebeu o rei Abdullah 2º da Jordânia. Trump defendia a anexação da Faixa de Gaza, propondo construir uma 'Riviera do Oriente Médio', sem direito de retorno dos palestinos, o que é visto como limpeza étnica. 'Não há nada o que comprar. Vamos tomá-la, vamos mantê-la, vamos valorizá-la', disse Trump. Ele afirmou que Jordânia e Egito acabariam concordando em abrigar deslocados. Abdullah reiterou a posição da Jordânia contra o deslocamento de palestinos, chamando-a de 'posição árabe unificada'.



