Acordo Canadá-China sinaliza fuga de países da influência econômica dos EUA, afirma analista
Canadá e China fecham acordo para reduzir dependência dos EUA

Acordo comercial entre Canadá e China marca estratégia de distanciamento dos Estados Unidos

O recente acordo assinado entre o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, e o líder chinês, Xi Jinping, representa um exemplo claro de como nações estão buscando se afastar da influência econômica dos Estados Unidos. A análise é do economista e doutor em relações internacionais Igor Lucena, que destacou a movimentação durante o programa Conexão Record News.

Contexto das tarifas de Trump e deterioração de relações

A política de tarifaço implementada por Donald Trump, somada às ameaças de dominação, vem deteriorando gradualmente a longa relação entre Canadá e Estados Unidos. Este cenário incentivou o governo canadense a buscar alternativas comerciais, culminando na assinatura de um grande acordo com a China na semana passada.

O objetivo central deste pacto é criar uma nova ordem comercial global que seja menos dependente dos Estados Unidos, conforme explicou o especialista. No entanto, Lucena ressalta que o trabalho será extenso e exigirá cooperação de múltiplas nações.

Desafios logísticos e necessidade de diversificação

Para reduzir as exportações de mercadorias para os EUA em 10%, o Canadá teria que dobrar os envios para países como China, Alemanha, França, México, Itália e Índia. Este dado ilustra a complexidade envolvida na reestruturação das cadeias de suprimentos e parcerias econômicas.

Análise do especialista Igor Lucena

Na visão de Igor Lucena, a aliança entre Xi Jinping e Carney não é um caso isolado, mas sim uma tendência que será adotada por outros países prejudicados pelas tarifas de Trump. O economista argumenta que "não só o Canadá, mas outros países querem diminuir a parceria com os Estados Unidos".

Lucena fundamenta sua análise com uma lógica econômica direta: "Porque quanto menor for a participação americana nas suas economias, menor o poder de chantagem que Trump terá". Durante sua participação no programa, o especialista utilizou como exemplo adicional o tratado de comércio assinado entre a União Europeia e o Mercosul, que encontrou avanços significativos após a implementação dos tarifaços.

Consequências para a economia americana

O analista conclui que a estratégia de Trump não funciona mais como antigamente e que a economia estadunidense deverá sofrer impactos negativos por conta dessa mudança no cenário global. Lucena alerta que "os países estão se afastando dos Estados Unidos e a capacidade de empregos na indústria americana não está aumentando".

Em suas palavras finais, o especialista fez uma previsão contundente: "Trump pode falar o que for, mas não está se tornando real. E isso pode causar um preço muito grande nas próximas eleições", referindo-se às eleições americanas que ocorrerão em breve.

Implicações para a geopolítica global

Este movimento do Canadá em direção à China sinaliza uma reconfiguração significativa nas alianças comerciais mundiais. Países que tradicionalmente mantinham os Estados Unidos como principal parceiro econômico agora buscam alternativas para proteger suas economias de políticas protecionistas.

A tendência apontada por Lucena sugere que múltiplas nações podem seguir caminho similar, formando novas redes comerciais que diminuam progressivamente a centralidade americana no comércio internacional. Este processo, embora desafiador, representa uma resposta estratégica às incertezas geradas pelas políticas tarifárias recentes.