O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, e o chanceler boliviano, Fernando Aramayo, reuniram-se com o chanceler chileno, Francisco Pérez Mackenna, na quinta-feira (23) em La Paz para discutir o avanço no restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, rompidas há mais de 50 anos. O encontro marca um novo impulso nas relações bilaterais, impulsionado pela chegada ao poder de líderes de direita em ambos os países.
Histórico das relações rompidas
As relações diplomáticas formais entre Bolívia e Chile foram rompidas em 1975, após a impossibilidade de um acordo para resolver a reivindicação marítima da Bolívia, que perdeu sua saída para o mar na Guerra do Pacífico (1879-1884). Naquele ano, os ditadores Hugo Banzer Suárez, da Bolívia, e Augusto Pinochet, do Chile, negociaram sem sucesso para solucionar a disputa centenária.
Novo impulso com lideranças de direita
Com a ascensão de José Antonio Kast, de ultradireita, no Chile, e Rodrigo Paz, de centro-direita, na Bolívia, as relações bilaterais ganharam novo fôlego. O chanceler boliviano destacou que a presença do chanceler chileno evidencia a vontade política de ambos os lados para avançar no restabelecimento das relações diplomáticas. Já Pérez Mackenna afirmou que os países projetam uma agenda positiva com vistas ao futuro.
Agenda bilateral e cooperação
Os chanceleres se reuniram inicialmente em uma localidade fronteiriça e depois seguiram para a sede do Ministério das Relações Exteriores da Bolívia, em La Paz, onde discutiram uma ampla agenda bilateral. Após o encontro, em declaração conjunta, expressaram o desejo de fortalecer os vínculos comerciais e a coordenação no controle migratório.
Medidas do governo chileno
O presidente Kast, que assumiu o poder em 11 de março, prometeu combater a migração irregular para o Chile e ordenou a construção de um fosso na fronteira com a Bolívia. O governo de Paz não apresentou objeções a essa iniciativa, demonstrando alinhamento entre os dois países.



