Fim do New START: EUA e Rússia sem limites nucleares pela primeira vez em décadas
Acordo nuclear EUA-Rússia perde validade; Trump quer novo tratado

Fim do New START: Mundo entra em nova era sem limites nucleares entre EUA e Rússia

O cenário geopolítico global sofreu uma transformação significativa nesta quinta-feira (5), com o término do último acordo de não-proliferação nuclear entre Estados Unidos e Rússia. Pela primeira vez em mais de cinco décadas, as duas maiores potências atômicas do planeta estão legalmente livres para expandir seus arsenais sem qualquer restrição numérica ou de inspeção mútua.

O colapso do New START e a posição de Trump

O acordo New START, assinado originalmente em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev, e posteriormente estendido durante o governo de Joe Biden, estabelecia limites rigorosos para os arsenais nucleares estratégicos de ambos os países. O tratado restringia a 1.550 ogivas de alcance intercontinental para cada nação e garantia um sistema de inspeções recíprocas nas instalações nucleares.

No entanto, essa estrutura de verificação tornou-se um ponto de discórdia após a invasão russa da Ucrânia em 2022. Em 2023, o presidente Vladimir Putin suspendeu unilateralmente as inspeções, criando uma crise de confiança que culminou no fim do acordo.

O presidente americano, Donald Trump, manifestou publicamente sua posição através de uma rede social, declarando: "Em vez de prorrogar o ‘New START’ (um acordo mal negociado pelos Estados Unidos que, além de tudo, vem sendo gravemente violado), deveríamos colocar nossos especialistas nucleares para trabalhar em um tratado novo, aprimorado e modernizado".

O contexto histórico e os números atuais

A história dos acordos de controle nuclear entre Washington e Moscou remonta a 1972, com uma série de tratados que foram sendo renovados ao longo das décadas. O fim do New START representa uma ruptura nessa tradição diplomática.

Atualmente, os números dos arsenais são alarmantes:

  • Rússia: aproximadamente 5.500 ogivas nucleares
  • Estados Unidos: cerca de 5.200 ogivas nucleares
  • China: programa em expansão acelerada, com previsão de dobrar de 300 para 600 ogivas entre 2019 e 2026

Além desses três países, outras seis nações possuem armamento nuclear: França, Reino Unido, Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte – sendo que estes últimos quatro não participam de nenhum acordo internacional de não-proliferação.

Preocupações com a China e riscos de uma nova corrida armamentista

Trump já havia indicado, em 2025, uma preocupação adicional: o rápido crescimento do programa nuclear chinês. Essa expansão representa um fator complicador para qualquer novo acordo bilateral entre EUA e Rússia, que tradicionalmente não incluía a China em suas negociações.

John Erath, diretor do Centro de Controle e Não Proliferação de Armas, alerta sobre as consequências do fim do New START: "Armas nucleares são muito difíceis de construir e de manter. Quando países decidem fazer isso, é porque sentem que existe algum tipo de ameaça direta considerada importante o suficiente para assumir o custo, o risco e a dificuldade".

Lições da história e o futuro incerto

A história nuclear moderna começou com medo – o temor de que a Alemanha nazista desenvolvesse a primeira bomba atômica nos anos 1930, alerta que partiu do próprio Albert Einstein. Essa corrida inicial resultou nas bombas que destruíram Hiroshima e Nagasaki em 1945, matando centenas de milhares de pessoas.

Durante a Guerra Fria, o acúmulo descontrolado de armas nucleares levou as duas superpotências a reconhecerem a necessidade de estabelecer freios. Agora, 54 anos depois dos primeiros acordos significativos, esse mecanismo de contenção desapareceu.

O mundo agora aguarda para ver se Donald Trump e Vladimir Putin – os dois líderes com "a caneta que pode desenhar o futuro" – conseguirão negociar um novo marco regulatório ou se a humanidade testemunhará o início de uma nova e perigosa corrida armamentista nuclear.