Trump declara que acordo sobre Groenlândia dará acesso total e ilimitado aos EUA
Nesta quinta-feira, 22 de fevereiro, o ex-presidente americano Donald Trump fez uma declaração impactante sobre um acordo envolvendo a Groenlândia. Durante entrevista à Fox News no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump afirmou que o acordo anunciado na quarta-feira, 21 de fevereiro, concederá aos Estados Unidos acesso total, sem fim e sem limite de tempo ao território da ilha, que pertence à Dinamarca.
Detalhes do acordo permanecem envoltos em mistério
Trump explicou que os detalhes específicos do acordo ainda estão sendo negociados, mas destacou que, em essência, o pacto proporcionará acesso militar completo aos EUA, sem custos financeiros. Não teremos que pagar nada e teremos todo o acesso militar que quisermos, declarou o ex-presidente. No entanto, até o momento, nem Trump nem o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, esclareceram publicamente os termos concretos do que foi acertado.
A reunião entre Trump e Rutte ocorreu na quarta-feira à noite, resultando na suspensão de tarifas contra oito países europeus por parte dos Estados Unidos. Rutte, também presente em Davos, enfatizou a necessidade de fortalecer a segurança no Ártico, mas deixou claro que a discussão não envolveu a possibilidade de a Groenlândia deixar de fazer parte da Dinamarca.
Reações internacionais e preocupações com soberania
O anúncio de Trump desencadeou uma série de reações por parte de líderes europeus. Em Bruxelas, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, defendeu uma maior presença da OTAN na Groenlândia, mas afirmou categoricamente que a soberania dinamarquesa sobre o território não pode ser negociada, estabelecendo isso como uma linha vermelha nas discussões com os EUA.
O premiê da Alemanha, Friedrich Merz, expressou preocupação, declarando que é inaceitável a anexação de territórios pela força, embora tenha comemorado a mudança de tom de Trump e expressado esperança na manutenção da aliança transatlântica. Já o presidente da França, Emmanuel Macron, pediu cautela e defendeu que a Europa permaneça extremamente vigilante, ressaltando que quando a Europa está unida, ela é respeitada.
Objetivos estratégicos e incertezas sobre o futuro
Até agora, nenhuma autoridade oficial esclareceu os planos concretos para reforçar a proteção da Groenlândia e blindar a região da influência de potências como Rússia e China, uma demanda explícita de Trump. Diplomatas ocidentais, em conversas com o jornal The New York Times, sugeriram que o acordo pode incluir compromissos para proibir a exploração de minerais raros na ilha por chineses e russos.
Outra hipótese em discussão seria conceder soberania americana sobre as áreas das bases dos EUA no território, uma proposta que a Dinamarca provavelmente rejeitaria. Na capital da Groenlândia, o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen admitiu que também não sabe o que há de concreto no acordo, explicando que os países formaram um grupo de alto escalão para negociar uma solução.
Ceticismo entre os moradores locais
Os habitantes da Groenlândia demonstraram ceticismo em relação ao acordo. Um aposentado local expressou confusão sobre a situação, afirmando: Em um momento estamos quase em guerra, noutro está tudo bem. Essa reação reflete a incerteza generalizada sobre os impactos reais do pacto anunciado por Trump, que continua a gerar debates e especulações no cenário internacional.