Justiça inicia audiência de réus por falso atentado que feriu ex-prefeito de Taboão da Serra
Audiência de réus por falso atentado a ex-prefeito de Taboão da Serra

Justiça inicia audiência de réus por falso atentado que feriu ex-prefeito de Taboão da Serra

A Justiça de Taboão da Serra, em São Paulo, vai ouvir pela primeira vez nesta terça-feira (10) os réus acusados de envolvimento no falso atentado que feriu e quase matou o então prefeito da cidade, José Aprígio (Podemos), em outubro de 2024. Dois dos cinco acusados estão presos e serão interrogados em uma audiência virtual a partir das 16h, enquanto outros três seguem foragidos e são procurados pela polícia.

Detalhes do processo e acusações

Esta etapa do processo, conhecida como audiência de instrução, tem como objetivo principal permitir que a Justiça decida se encaminha todos os cinco réus a júri popular por tentativa de assassinato. Além disso, eles também respondem por crimes como adulteração de veículo, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Aprígio, que foi baleado no ombro por um tiro de fuzil que perfurou o vidro blindado de seu carro, aparece como vítima no processo e já foi ouvido na condição de testemunha.

O caso ocorreu durante o período eleitoral de 2024, quando Aprígio buscava a reeleição. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público (MP), pessoas ligadas ao grupo político do ex-prefeito planejaram o falso ataque com o objetivo de alavancar sua candidatura, que havia tido menos votos do que o concorrente no primeiro turno. A acusação foi formalizada pelo promotor Juliano Atoji.

Réus e envolvimento no crime

Pela denúncia, os seguintes indivíduos são apontados como participantes diretos ou intermediários do crime:

  • Gilmar de Jesus Santos e Odair Júnior de Santana: identificados como os atiradores que usaram um fuzil AK-47.
  • Jefferson Ferreira de Souza: responsável por auxiliar na fuga dos atiradores.
  • Anderson da Silva Moura, conhecido como "Gordão", e Clóvis Reis de Oliveira: apontados como intermediários que contrataram os executores.

Atualmente, Gilmar e Anderson estão presos, enquanto Odair, Jefferson e Clóvis permanecem foragidos. Os cinco acusados enfrentam múltiplas acusações, incluindo quatro tentativas de homicídio qualificado, adulteração de veículo, associação criminosa, e, no caso de Anderson, lavagem de dinheiro.

Descoberta do falso atentado e delação premiada

O falso atentado foi descoberto pelas autoridades após Gilmar fazer uma colaboração premiada na Justiça. Em sua delação, ele confessou participar do crime e revelou que o plano era criar um "susto que desse mídia", com Aprígio ciente da situação. Em troca, ele terá um abatimento da pena se for condenado.

Segundo a investigação, os atiradores dispararam seis tiros contra o carro blindado onde estavam Aprígio, seu motorista, um videomaker e um secretário municipal. Dois disparos atingiram a clavícula e o ombro esquerdo do político, que sobreviveu após internação. O videomaker registrou imagens de Aprígio ferido e sangrando, e a equipe do prefeito divulgou um vídeo editado do ataque em menos de 30 minutos, que viralizou nas redes sociais.

Consequências e busca por mandantes

Apesar da ampla divulgação do caso, Aprígio não foi reeleito, perdendo a disputa para Engenheiro Daniel (União Brasil). A polícia e o MP ainda investigam possíveis mandantes do falso atentado, incluindo o próprio ex-prefeito e três ex-secretários de sua gestão, mas até o momento nenhum deles foi formalmente responsabilizado.

Segundo a Promotoria, Gilmar, Odair, Anderson e Clóvis receberiam R$ 500 mil pelo atentado fake, valor que seria dividido entre eles. O carro usado na fuga foi adulterado e incendiado em Osasco na tentativa de apagar vestígios.

Em declarações anteriores, o advogado de Aprígio, Allan Hassan, negou qualquer envolvimento do ex-prefeito, afirmando que não há indícios de que ele tenha forjado o atentado. Aprígio também reiterou sua inocência quando ouvido na delegacia em abril de 2025, expressando confiança na Justiça.