Governo do Rio promove troca na Casa Civil e nomeia Flávio Willeman para comando estratégico
Rio troca comando da Casa Civil e nomeia Flávio Willeman

Mudanças no núcleo de poder do governo do Rio de Janeiro

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, realizou nesta terça-feira (14) uma significativa alteração na estrutura de comando do estado, promovendo uma troca no comando da Casa Civil, considerada uma das pastas mais estratégicas da administração estadual.

Nova liderança na articulação governamental

Marco Antônio Rodrigues Simões foi exonerado do cargo de secretário da Casa Civil, posição que ocupava desde o final da gestão anterior. Para assumir seu lugar, foi escolhido Flávio de Araújo Willeman, que passa a chefiar a principal pasta de articulação política do governo.

Atualmente, Flávio Willeman ocupa o cargo de vice-presidente Geral do Flamengo e acumula uma experiência consolidada na área jurídica, com atuação tanto no setor público quanto no privado. Ele integra a Procuradoria-Geral do Estado há mais de duas décadas e já ocupou o cargo de vice-presidente jurídico do Flamengo entre 2013 e 2019.

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Willeman também possui experiência no Judiciário, tendo atuado como desembargador eleitoral no Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) entre 2014 e 2016.

Reorganização do núcleo de poder

Segundo os atos publicados no Diário Oficial do Rio de Janeiro, Flávio Willeman assume a Casa Civil sem deixar suas funções na Procuradoria-Geral do Estado. Já Marco Antônio Simões, que ocupava o cargo desde o fim da gestão anterior, foi deslocado para o gabinete do governador, mantendo status de secretário.

A troca na Casa Civil ocorre em meio a uma série de mudanças promovidas por Ricardo Couto desde que assumiu interinamente o governo do estado. A Casa Civil é responsável pela coordenação política, articulação entre secretarias e gestão de decisões administrativas do governo, sendo considerada fundamental para o funcionamento do Executivo estadual.

Contexto da gestão anterior

Marco Antônio Rodrigues Simões havia assumido a Casa Civil no fim do governo Cláudio Castro, após a saída de Nicola Miccione. Naquela ocasião, um decreto ampliou significativamente as atribuições da pasta, concentrando poderes administrativos, orçamentários e estruturais no secretário.

Com a medida, o chefe da Casa Civil passou a poder nomear e exonerar cargos comissionados, alterar estruturas administrativas e realizar atos de gestão orçamentária — funções tradicionalmente ligadas ao próprio governador. A ampliação desses poderes gerou reação política e foi questionada na Justiça.

Dias depois, o Tribunal de Justiça do Rio suspendeu os efeitos do decreto, ao entender que as mudanças poderiam extrapolar competências constitucionais do chefe do Executivo. Mesmo com a perda dessas atribuições ampliadas, Simões permaneceu no cargo até a mudança promovida agora pelo governo interino.

Outras mudanças na administração estadual

Na última segunda-feira (13), Ricardo Couto exonerou o secretário-chefe de Gabinete, Rodrigo Abel. A decisão marcou a saída do último integrante do grupo mais próximo do ex-governador Cláudio Castro do governo estadual. Rodrigo Abel era considerado um dos principais articuladores do governo e atuava ao lado de nomes como Nicola Miccione e Rodrigo Bacellar.

Também nesta segunda-feira, o governador em exercício exonerou o então presidente interino do Rioprevidência, Nicholas Cardoso. A decisão ocorre após o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pedir o afastamento do gestor em meio a uma investigação sobre aportes de R$ 118 milhões feitos pelo fundo em instituições financeiras não cadastradas.

Para o lugar de Cardoso, foi nomeado o procurador do estado Felipe Derbli de Carvalho Batista. O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores e dependentes no estado. As aplicações investigadas foram realizadas no fim do ano passado, quando Cardoso ocupava o cargo de diretor de investimentos do fundo.

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Demissão na Cedae e transparência

Ricardo Couto também exonerou o presidente da Cedae, Agnaldo Balon, nesta segunda-feira. A decisão amplia a retirada de aliados do ex-governador Cláudio Castro de cargos estratégicos.

A medida foi anunciada no mesmo dia em que Couto determinou um "choque de transparência" na administração estadual, com a exigência de que secretarias e autarquias informem, em até 15 dias, todos os contratos em vigor, valores, prazos e quadro de servidores. Esta medida deve permitir uma revisão detalhada das despesas públicas e representa uma nova fase na gestão do estado.

As mudanças promovidas pelo governo interino indicam uma reorganização significativa do núcleo de poder do Palácio Guanabara, com a substituição de figuras-chave da gestão anterior e a implementação de novas diretrizes administrativas que enfatizam a transparência e o controle dos recursos públicos.