Batalha Política em Pernambuco: Lyra e Campos Acirram Disputa com Acusações e Pedidos de Impeachment
Pernambuco: Lyra e Campos em guerra política pré-eleitoral

Conflito Político em Pernambuco Antecipa Batalha Eleitoral de 2026

A cena política de Pernambuco vive um momento de extrema tensão e polarização, com a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos, protagonizando uma guerra aberta que antecipa a disputa pelo governo do estado em outubro de 2026. Ex-aliados no passado, ambos membros do PSB, hoje eles travam uma batalha campal marcada por acusações mútuas de corrupção, pedidos de impeachment e denúncias de espionagem, escalando o conflito para instâncias como o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal.

Protestos e Acusações Recíprocas Intensificam o Cenário

Na segunda-feira, 2 de fevereiro, durante a reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, a governadora Raquel Lyra foi vaiada pela oposição, que entoava o grito "Raquel prometeu, não cumpriu", em referência à promessa de entrega de 250 creches, das quais apenas uma foi concluída até o final de 2025. No dia seguinte, o prefeito João Campos enfrentou um barulhento protesto em frente à Câmara Municipal, com faixas exigindo sua saída e a leitura de um pedido de impeachment por crime de responsabilidade.

Esses episódios não são isolados, mas parte de uma estratégia de confronto que tem raízes em dezembro, quando Campos foi acusado de favorecer um candidato em concurso para procurador municipal, visando agradar ao pai, juiz Rildo Vieira da Silva. O caso gerou pedidos de CPI e impeachment, rejeitado por 25 votos a 9, e chegou ao STF, onde o ministro Gilmar Mendes interrompeu a investigação.

Espionagem e Retaliações Ampliam a Crise

Como retaliação, um deputado aliado a Campos protocolou pedido de impeachment contra Raquel Lyra, acusando-a de falta de fiscalização na empresa de ônibus intermunicipais do pai dela, a Logo Caruaruense, que teria circulado com vistorias vencidas e documentação irregular. Fontes da governadora alegam que o problema é anterior à sua gestão e que o setor estava sucateado há anos.

Além disso, eclodiu um caso de espionagem, com Campos acusando Lyra de usar a Polícia Civil para monitorar secretários municipais entre agosto e outubro de 2025, sem registro formal. A Secretaria de Defesa Social afirma que era uma investigação preliminar baseada em denúncias anônimas, arquivada por falta de confirmação. O caso também foi levado ao STF, com Gilmar Mendes determinando investigação pela Polícia Federal.

Disputa Eleitoral e Polarização Refletem em Pesquisas

De acordo com o Paraná Pesquisas, de agosto a dezembro de 2025, as intenções de voto para João Campos recuaram de 57% para 53,1%, enquanto Raquel Lyra subiu de 24,2% para 31%. "A tendência é que tenhamos uma campanha muito dura", avalia o cientista político Adriano Oliveira, da UFPE. A formação de chapas permanece incerta, com Campos buscando apoio de Lula e o PSB, e Lyra, filiada a um partido com presidenciáveis de oposição, mantendo elogios e participação em eventos com o presidente.

Historicamente, Pernambuco é palco de grandes confrontos, como a Revolução Pernambucana e a Batalha dos Guararapes. Guardadas as proporções, o estado ensaia uma nova batalha acirrada, desta vez nas urnas, com o enfrentamento político já em curso e prometendo intensificar-se até as eleições de 2026.