Aécio Neves convida Ciro Gomes para concorrer à Presidência pelo PSDB em 2026
Em um movimento que pode reconfigurar o cenário político brasileiro, o deputado federal Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, convidou formalmente nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, o político Ciro Gomes a ser candidato a presidente da República pelo partido nas eleições de outubro. O convite foi feito durante a abertura da reunião nacional do PSDB, realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Um convite histórico e estratégico
Aécio Neves justificou a proposta destacando as qualificações de Ciro Gomes, que ingressou no PSDB em outubro de 2025, após uma trajetória por outras siglas como PSB e PPS. "Não encontro hoje no quadro político nacional alguém com tantas qualificações, tão atualizado em relação à realidade brasileira e com tanta contribuição a dar ao Brasil", afirmou Aécio, em discurso que ressaltou a necessidade de renovação diante dos desafios econômicos e sociais do país.
O presidente tucano argumentou que a eleição presidencial ainda está longe de estar definida e que o Brasil pode precisar de medidas ousadas, "quase que de um novo Plano Real", para se adaptar às mudanças nas áreas de trabalho, economia e desenvolvimento. A decisão de convidar Ciro foi tomada após consultas com outros líderes do partido, como Marconi Perillo, refletindo uma estratégia para fortalecer o PSDB no pleito.
Resposta cautelosa de Ciro Gomes
Ciro Gomes, de 68 anos, atual presidente do PSDB no Ceará e um dos fundadores do partido em 1988 – quando foi eleito o primeiro governador tucano no estado –, reagiu ao convite com ponderação. Ele prometeu amadurecer a ideia "com muito respeito", mas não estabeleceu um prazo para tomar uma decisão.
"Minha angústia com o Brasil não me permite descartar pura e simplesmente [a candidatura à Presidência], e o meu respeito e os meus deveres com o Ceará também não me permitem aceitar prontamente o desafio", declarou Ciro, em referência às suas responsabilidades estaduais. Como não ocupa nenhum cargo público atualmente, ele não precisa se desincompatibilizar para concorrer; basta que o PSDB registre seu nome na Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
Contexto político e desafios partidários
O convite ocorre em um momento de reestruturação para o PSDB, que espera disputar sete governos estaduais em 2026, mas enfrenta dificuldades em praças tradicionalmente importantes, como São Paulo. Aécio Neves admitiu que o quadro atual do partido "ainda não é o suficiente pela responsabilidade" que a legenda almeja no cenário político nacional.
Ciro Gomes, que já concorreu quatro vezes à Presidência – a última em 2022 pelo PDT, quando ficou em quarto lugar –, tem articulado politicamente no Ceará, incluindo aproximações com o PL para apoiar sua possível candidatura ao governo estadual. No entanto, essas movimentações renderam críticas, especialmente de Michelle Bolsonaro, que apoia Eduardo Girão (Novo) para o cargo.
Enquanto isso, em um episódio paralelo, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, não compareceu a um interrogatório marcado no Supremo Tribunal Federal por videoconferência, conforme noticiado pela Agência Brasil no mesmo dia.
O convite a Ciro Gomes representa uma aposta do PSDB em unir experiência histórica e renovação, buscando capitalizar o prestígio de um nome que ajudou a fundar o partido para reconquistar espaço na política nacional. A decisão de Ciro, aguardada com expectativa, poderá definir os rumos da oposição nas eleições de 2026.



