Governo federal reafirma veto à mineração em terras indígenas e áreas de preservação
Governo mantém veto à mineração em terras indígenas e preservação

Governo federal mantém posição firme contra flexibilização ambiental para mineração

O governo federal reafirmou nesta terça-feira, de forma categórica, que não pretende flexibilizar as regras ambientais vigentes para permitir atividades de mineração em terras indígenas ou em áreas de preservação permanente. Esta declaração ocorre mesmo diante do aumento significativo da demanda global por minerais críticos, essenciais para tecnologias avançadas e para a transição energética mundial.

Questão ambiental é "inegociável" para a administração federal

"Essa questão ambiental é algo inegociável no Governo Federal", declarou com ênfase Leonardo Durans, diretor de Desenvolvimento da Indústria de Insumos e Materiais Intermediários do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A afirmação foi feita durante uma conferência com a imprensa internacional, onde o representante governamental deixou claro que "de forma alguma" o país está disposto a "abrir mão" do "padrão socioambiental que o Brasil" possui historicamente.

Durans foi ainda mais específico ao abordar o tema das terras indígenas: "Mineração dentro de áreas indígenas, isso também não vai ser flexibilizado de forma alguma". O diretor defendeu a atuação dos órgãos reguladores e de licenciamento ambiental, destacando que o foco do governo está em reforçar a estrutura de análise de projetos minerários, com mais recursos humanos e tecnológicos disponíveis.

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Brasil possui posição estratégica global em reservas de terras raras

As chamadas terras raras correspondem a um conjunto de dezessete elementos químicos encontrados em diversos países e são absolutamente essenciais para tecnologias de ponta e para a transição energética global. De acordo com dados oficiais do Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo inteiro, atrás apenas da China, o que coloca o país em posição estratégica privilegiada no cenário geopolítico internacional.

A Agência Nacional de Mineração (ANM), responsável pela regulação do setor mineral brasileiro, registra atualmente cerca de 3.500 pedidos de pesquisa relacionados especificamente a terras raras. Apesar dessa abundância impressionante de recursos minerais, o Brasil ainda não desenvolveu capacidade de refino suficiente, o que faz com que atue principalmente como exportador dessa commodity valiosa, sem agregar valor significativo dentro do território nacional.

Foco em industrialização e processamento com energia limpa

O diretor Leonardo Durans explicou que o governo priorizará o licenciamento de iniciativas minerárias que utilizem tecnologias limpas e que comprovem rastreabilidade completa, integrando a extração ao processamento dentro do país. "Não vamos minerar por minerar, mas minerar para industrializar o país", afirmou Durans durante a conferência.

Ele também destacou que o Brasil conta com ampla oferta de energia limpa, especialmente de origem hidrelétrica, o que representa uma "vantagem competitiva" significativa na cadeia produtiva ligada à exploração desses recursos minerais estratégicos. "Então, isso torna o Brasil como um dos principais, se não o principal destino global para o 'powershoring' [estratégia de reindustrialização que atrai unidades produtivas intensivas para países com abundância de fontes renováveis]", ressaltou o diretor.

Durans complementou: "O minério sustentável de verdade é aquele que é extraído com responsabilidade socioambiental, mas também é aquele processado com energia limpa. O Brasil se posiciona, e está muito bem posicionado para desenvolver as cadeias produtivas dos minerais críticos e estratégicos".

Neutralidade na disputa global e novas exigências para investidores

Durante a mesma conferência internacional, Durans destacou a postura de neutralidade do Brasil na disputa geopolítica entre China e Estados Unidos pela exploração e controle desses minerais estratégicos. O diretor afirmou ainda que o país segue aberto ao investimento estrangeiro, mas com novas exigências mais rigorosas.

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"As portas do Brasil estão abertas, mas essa relação amadureceu", declarou Durans. "A gente historicamente tinha um papel mais extrativista, mas essa nossa posição amadureceu e agora a gente vai trabalhar para desenvolver, para adensar a nossa cadeia tecnologicamente, produtivamente", explicou o representante governamental.

Ele concluiu: "Então, as portas estão abertas, mas o passaporte para atuar aqui no nosso país é um compromisso real com desenvolvimento conjunto para agregação de valor, desenvolvimento produtivo, pesquisa, desenvolvimento e inovação e criação de bons empregos no Brasil também".

Mapa de oportunidades para fortalecer a indústria nacional

Diante deste cenário complexo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços elaborou um mapa detalhado de oportunidades para os minerais críticos, com o objetivo claro de atrair investimentos qualificados e fortalecer a indústria nacional de processamento e transformação mineral. Esta iniciativa busca superar a atual dependência do país como mero exportador de matéria-prima não processada.