O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 23, que ordenou às forças americanas que atirem e destruam embarcações do Irã que estejam lançando minas no Estreito de Ormuz. A medida representa uma escalada na tensão na rota marítima por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo.
Ordem de Trump
Em publicação em suas redes sociais, Trump afirmou: “Ordenei à Marinha dos Estados Unidos que atire e destrua qualquer embarcação, por menor que seja, que esteja lançando minas nas águas do Estreito de Ormuz. Não deve haver hesitação. Além disso, nossos navios caça-minas estão limpando o Estreito neste momento. Estou ordenando que essa atividade continue, mas em um nível triplicado!”
A ordem ocorre após as Forças Armadas dos EUA informarem, no fim de semana, que haviam iniciado uma operação de desminagem, enviando dois navios de guerra pelo estreito. Poucos detalhes foram fornecidos sobre o equipamento utilizado, mas forças adicionais, incluindo drones submarinos, devem se juntar à operação nos próximos dias.
Impacto global
O processo de retirada de minas no Estreito de Ormuz pode levar até seis meses, segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Em apresentação confidencial ao Congresso, o Pentágono alertou que a demora teria impacto sobre o preço de combustíveis em todo o planeta. O jornal Washington Post, citando três fontes anônimas, informou que parlamentares foram comunicados de que o Irã pode ter instalado 20 minas ou mais no estreito e em suas imediações.
De acordo com a apresentação, algumas minas foram colocadas na água à distância, utilizando tecnologia GPS, o que dificulta a detecção. Outras teriam sido instaladas com embarcações pequenas.
Crise no Estreito
O Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde o início da guerra em 28 de fevereiro, iniciada por bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Na quarta-feira, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que um cessar-fogo total só é possível se os EUA encerrarem o bloqueio naval aos portos iranianos. A declaração veio horas após a Guarda Revolucionária Islâmica interceptar e apreender dois navios comerciais na rota.
Para Teerã, as restrições impostas por Washington configuram uma violação flagrante da trégua anunciada por Trump na véspera. Em publicação nas redes sociais, Ghalibaf disse que a reabertura do Estreito de Ormuz é impossível enquanto persistirem ações que classificou como violações do cessar-fogo, incluindo o bloqueio naval americano e a “beligerância sionista”. Segundo ele, “os Estados Unidos e Israel não alcançaram seus objetivos por meio de agressão militar, nem o farão por intimidação”.
A reação iraniana ocorre após Trump anunciar a prorrogação por tempo indeterminado da trégua, a pedido do Paquistão, que atua como mediador. Uma rodada de conversas foi realizada em Islamabad, mas terminou sem avanços concretos.



