EUA e Vaticano reafirmam laços 'sólidos' após reunião de Rubio com o papa
Rubio e papa reforçam laços EUA-Vaticano

Reunião entre Rubio e Papa Leão XIV busca aliviar tensões

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reuniu-se com o Papa Leão XIV no Vaticano nesta quinta-feira, 7, em um encontro classificado como 'amistoso' pelo Departamento de Estado. A audiência, que durou cerca de 45 minutos, teve como objetivo principal virar a página da recente crise diplomática entre Washington e a Santa Sé, marcada por duras críticas do presidente Donald Trump ao pontífice.

Durante a conversa, foram abordados temas como a guerra no Oriente Médio e os esforços humanitários nas Américas. O comunicado oficial do Departamento de Estado destacou que a reunião 'ressaltou a solidez das relações entre os Estados Unidos e a Santa Sé, além do compromisso comum de ambos em favor da paz e da dignidade humana'. Também foram revisadas as iniciativas para estabelecer uma paz duradoura no Oriente Médio e os projetos humanitários em curso nas Américas.

Diplomacia e contexto cubano

A Santa Sé mantém um papel ativo na diplomacia em Cuba, país que enfrenta crescente pressão de Washington desde o retorno de Trump ao poder. Rubio, católico de origem cubana, lidera os esforços para pressionar o governo comunista da ilha. O Papa Leão XIV, por sua vez, conhece bem a América Latina, tendo passado duas décadas como missionário no Peru, onde obteve nacionalidade.

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Após a audiência com o papa, Rubio reuniu-se com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado e número dois do Vaticano. Parolin havia afirmado na quarta-feira que a reunião era por iniciativa de Washington e que abordaria temas como América Latina, Cuba e Líbano.

Relação 'sólida' e liberdade religiosa

O Departamento de Estado enfatizou que a conversa entre Rubio e o papa ressaltou a 'sólida e constante parceria entre os Estados Unidos e a Santa Sé em favor da liberdade religiosa'. O Vaticano não divulgou detalhes adicionais sobre o encontro, realizado a portas fechadas.

Antecedentes de tensão com Trump

O governo Trump inicialmente celebrou a eleição do Papa Leão XIV, em maio de 2025, como o primeiro pontífice americano da história. No entanto, as relações deterioraram-se rapidamente. Nascido em Chicago, Leão XIV tem usado sua voz para criticar o cerco a imigrantes e a política externa belicista.

Em abril, Trump atacou o papa de forma inédita, chamando-o de 'FRACO em matéria de crime e terrível para a política externa'. O presidente também compartilhou imagens geradas por inteligência artificial que o retratavam como Jesus Cristo e como papa. As críticas geraram reações internacionais e até mesmo de sua base eleitoral católica conservadora.

O estopim foi o pedido de paz do papa no Oriente Médio, após a guerra entre Israel e os Estados Unidos contra o Irã, quando Leão XIV condenou como 'realmente inaceitável' a ameaça de Trump de destruir a civilização iraniana. Rubio assegurou que a visita estava planejada antes das declarações presidenciais, mas os ataques continuaram. Na segunda-feira, 4, Trump acusou o papa de 'colocar em risco muitos católicos' por supostamente achar normal o Irã possuir armas nucleares.

Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Itália classificou os ataques como inaceitáveis. O próprio papa afirmou que todos são livres para criticá-lo, mas devem fazê-lo com a verdade, e reiterou que a Igreja se manifesta contra todas as armas nucleares. O cardeal Parolin disse que atacar o pontífice 'lhe parece um pouco estranho, porque o papa está sendo papa'.

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