Protesto do grupo feminista Pussy Riot fecha pavilhão da Rússia na Bienal de Veneza
Um protesto liderado pelo grupo ativista Pussy Riot forçou o fechamento temporário do pavilhão da Rússia na Bienal de Veneza nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026, durante a abertura para convidados. A manifestação ocorreu em meio ao retorno da Rússia à mostra pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, e evidenciou a crise política que já cercava esta edição, marcada por boicotes e pressão internacional.
Detalhes do protesto
Vestindo balaclavas cor-de-rosa, marca registrada do grupo, cerca de 40 ativistas protestaram em frente ao pavilhão russo, acendendo sinalizadores nas cores rosa, azul e amarelo, em referência à bandeira ucraniana, e entoando slogans como “Sangue é a arte da Rússia”. A ação, que incluiu uma tentativa de invasão do espaço, foi contida pela polícia. Durante o ato, manifestantes exibiram frases escritas no corpo, como “Curadoria de Putin, com cadáveres incluídos” e “Arte russa, sangue ucraniano”.
Contexto político
O Pussy Riot ganhou notoriedade internacional na década passada por performances de protesto contra o governo de Vladimir Putin, incluindo ações em igrejas, eventos esportivos e espaços públicos. O protesto ocorre no contexto da volta da Rússia à exposição após a invasão da Ucrânia, decisão que provocou forte reação política na Europa. A Comissão Europeia alertou autoridades italianas e organizadores de que a participação russa pode violar sanções impostas ao país.
A tensão já havia atingido a estrutura da mostra. O júri responsável pelo principal prêmio, o Leão de Ouro, renunciou em bloco após declarar que não avaliaria obras de países cujos líderes são alvo de mandados de prisão internacionais, como Rússia e Israel. Segundo a imprensa italiana, os jurados também foram alertados sobre possíveis implicações legais.
Protestos contra Israel
Pouco depois do ato, outro protesto ocorreu diante do pavilhão de Israel. O grupo Art Not Genocide Alliance (ANGA) reuniu manifestantes contrários à presença israelense por causa da guerra em Gaza. O espaço foi fechado durante a manifestação. Mais de 200 participantes assinaram uma carta pedindo o cancelamento do pavilhão israelense. Em resposta, o governo de Israel classificou o movimento como “doutrinação política” e “discriminação”.
O presidente da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, defendeu a inclusão de todos os países e afirmou que o evento deve permanecer como espaço de diálogo, mesmo em contextos de conflito. A politização da mostra não é inédita: em 1968, a Bienal foi palco de protestos ligados à Guerra do Vietnã; seis anos depois, em 1974, dedicou sua programação ao povo chileno sob a ditadura de Augusto Pinochet.



