O presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi recebido com honras militares pelo seu homólogo em Taiwan, Lai Ching-te, durante um encontro entre os líderes nesta sexta-feira, 8. A reunião ocorre um dia após a China pedir que a nação sul-americana, um dos 12 países no mundo que reconhecem a independência da ilha, rompesse seus laços diplomáticos com Taipei.
Encontro com honras e discursos
“Taiwan e Paraguai são parceiros firmemente comprometidos com os valores da democracia, da liberdade e dos direitos humanos”, disse Lai na cerimônia de boas-vindas a Peña, ocorrida em frente ao edifício presidencial em Taipei com direito a tapete vermelho. Em seu discurso, ele também agradeceu Assunção pela “longa defesa de Taiwan no cenário internacional”.
Peña, por sua vez, disse que a cerimônia é um símbolo da determinação inabalável entre os dois países para aprofundar sua parceria. “O Paraguai valoriza profundamente essa relação e reitera seu compromisso em seguir apoiando Taiwan em uma aliança estratégica baseada em valores compartilhados”, declarou o mandatário, antes de seguir para uma reunião a portas fechadas com Lai.
Visita de quatro dias
Peña desembarcou em Taiwan na quinta-feira, 7, acompanhado de uma delegação de autoridades e representantes empresariais. A viagem ocorre após convite de Lai para aprofundar a aliança entre os países e prevê uma estadia de quatro dias antes de seguir para Manila, nas Filipinas. Por enquanto, o líder paraguaio se reuniu com altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores e do Conselho de Segurança Nacional do país.
Pressão da China
A visita de Peña à pequena nação insular não foi bem vista pela China, que pediu ao Paraguai que “tomasse o lado certo da história” e rompesse as relações com Taipei, reconhecendo o princípio de “uma só China”. O presidente paraguaio condenou a manifestação em seu discurso nesta sexta, afirmando que Taiwan tem o direito de se relacionar livremente com outros países sem interferências indevidas que visem o isolamento internacional.
“O Paraguai reafirma sua condenação às manobras militares da República Popular da China perto de Taiwan e às pressões econômicas crescentes exercidas por Pequim”, disse Peña.
Acordos firmados
A reunião entre Lai e Peña deverá firmar um acordo de assistência jurídica mútua em matéria penal, cooperação em segurança cibernética e um projeto conjunto de investimento paraguaio-taiwanês em inteligência artificial e infraestrutura de computação. De acordo com a agência de notícias Associated Press, o mandatário paraguaio disse, durante o encontro, que Assunção tem instado a comunidade internacional a reconhecer o direito de Taipei a tomar suas próprias decisões.
“Quero enfatizar que excluir Taiwan do importante sistema das Nações Unidas não é apenas injusto, mas também mina a legitimidade das Nações Unidas como a organização mais representativa dos países democráticos do mundo”, afirmou.



