OMS confirma cinco casos de hantavírus em cruzeiro; três mortes são registradas
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que cinco dos oito casos suspeitos de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius são positivos para a doença. Até o momento, três pessoas que estavam na embarcação faleceram. O navio partiu da Argentina no início de abril e, dias depois, um passageiro alemão morreu após contrair o vírus. Um casal holandês também perdeu a vida. A origem do contágio fora do navio, segundo autoridades, pode estar relacionada a um voo em Johannesburgo, na África do Sul.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7) que a ameaça à saúde pública decorrente do surto permanece baixa. Ele também destacou que a OMS está ciente de relatos de outros pacientes e que mais casos podem surgir nos próximos dias devido ao longo período de incubação do vírus. A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, reforçou que a situação é totalmente diferente do coronavírus e que não se trata de uma nova epidemia. “Isso não é o começo de uma nova pandemia de Covid-19, é um surto que aconteceu em um navio. Há uma área confinada, com cinco casos confirmados. O vírus não se espalha da mesma forma, na maioria das vezes o hantavírus nem é transmitido de pessoa para pessoa”, ressaltou.
Monitoramento internacional e suspeitas fora do navio
Um especialista da OMS está a bordo do navio e acompanhará os passageiros até a chegada em Tenerife, na Espanha. A OMS também listou os países cujos cidadãos desembarcaram na ilha de Santa Helena: Canadá, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, São Cristóvão e Nevis, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. A organização notificou os países de origem dos passageiros para que possíveis casos sejam monitorados.
Além dos casos a bordo, pacientes na França, Holanda e Singapura que não estiveram no cruzeiro estão sob investigação por suspeita de hantavírus. Em Singapura, duas pessoas foram isoladas após estarem no mesmo voo que a viúva da primeira vítima. Na Holanda, uma comissária de bordo da KLM que teve contato com a viúva foi internada em um hospital em Amsterdã. As autoridades holandesas entraram em contato com todos os passageiros do voo. Nos Estados Unidos, três estados — Califórnia, Geórgia e Arizona — monitoram pacientes com sintomas suspeitos. Na França, um cidadão que esteve em contato com uma pessoa infectada está sendo monitorado, mas não apresenta sintomas.
Desembarque na ilha de Santa Helena e rastreamento de contatos
Cerca de 40 passageiros desembarcaram na ilha de Santa Helena após a primeira morte no navio, e 29 deles não retornaram à embarcação. Esse grupo inclui a viúva de um homem holandês que morreu. A operadora Oceanwide Expeditions não havia divulgado que outros passageiros também desembarcaram. O contato desses passageiros com moradores de Santa Helena pode representar um problema de saúde pública. Autoridades na África do Sul e na Europa tentam rastrear contatos de quaisquer passageiros que tenham deixado o navio. A ilha de Santa Helena é um território ultramarino britânico no Atlântico Sul, famoso por ser o local da morte de Napoleão Bonaparte.
O diretor-geral da OMS afirmou que a organização está trabalhando com países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer disseminação adicional da doença seja limitada. A OMS também identificou a cepa andina do hantavírus, que é transmitida entre humanos, nos passageiros do cruzeiro.



