A vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, que está presa no Irã desde dezembro, encontra-se em estado crítico de saúde. Sua advogada, Chirinnne Ardakani, afirmou nesta terça-feira, 5, que a ativista está 'entre a vida e a morte'. Mohammadi está hospitalizada há cinco dias devido a um problema cardíaco.
Detenção e agravamento da saúde
A ativista foi detida após criticar autoridades religiosas iranianas durante um funeral. Desde então, perdeu cerca de 20 quilos. 'Não estamos lutando apenas pela liberdade de Narges, estamos lutando para que seu coração continue batendo', declarou Ardakani em coletiva de imprensa. 'Nunca tememos tanto pela vida de Narges; a qualquer momento corremos o risco de perdê-la.'
Na prisão de Zanyan, Mohammadi sofreu dois supostos ataques cardíacos em 24 de março e 1º de maio, quando teria sido transferida para um hospital próximo. Atualmente, sua saúde apresenta uma 'deterioração sem precedentes', segundo a advogada.
Histórico de prisões e luta
Mohammadi foi presa repetidamente e condenada a mais de 25 anos por sua luta contra a pena de morte e o uso obrigatório do hijab no Irã. Em dezembro de 2024, recebeu libertação temporária por motivos médicos, tratando uma lesão óssea descoberta durante cirurgia de emergência após ataques cardíacos na prisão. Ela estava detida na prisão de Evin, em Teerã, desde 2021.
Sua última detenção ocorreu enquanto participava de uma cerimônia em memória de Khosrow Alikordi, advogado encontrado morto em seu escritório na cidade de Mashhad. Outros ativistas também foram levados.
Trajetória de ativismo
Nascida em 1972, Mohammadi iniciou seu ativismo nos anos 1990, quando estudava física na universidade, defendendo igualdade e direitos humanos das mulheres. Após formar-se, trabalhou como engenheira e tornou-se colunista de jornais reformistas. Em 2003, envolveu-se com o Centro de Defensores dos Direitos Humanos em Teerã, fundado por Shirin Ebadi, também Nobel da Paz. O governo considerou o grupo ilegal em 2015, levando-a a ser presa e condenada um ano depois como porta-voz.
Seus 30 anos de ativismo pacífico pela mudança no Irã, por meio de educação, articulação e desobediência civil, tiveram um preço elevado: sua carreira, saúde, separação da família e liberdade. Ela foi condenada a 10 anos e 6 meses de prisão.
Contexto político e social
O Irã, regime fechado, reprime qualquer rebelião contra a ditadura dos aiatolás. O Nobel da Paz de 2023 também reconheceu as centenas de milhares de iranianos que foram às ruas contra a discriminação às mulheres, sob o lema 'Mulher, Vida, Liberdade'. Os protestos foram desencadeados pela morte de Mahsa Amini, 22 anos, presa por usar o hijab de forma inadequada e morta sob custódia da polícia da moralidade.



