A vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, a ativista iraniana Narges Mohammadi, enfrenta risco iminente de morte após ficar meses sem acesso a tratamento médico adequado. Ela sofreu um ataque cardíaco em março, enquanto estava detida em uma prisão no Irã, conforme comunicado divulgado na quarta-feira, 29, pela Fundação Narges.
De acordo com a fundação, Mohammadi já perdeu mais de 19 quilos e sente dores constantes no peito. Advogados que a visitaram na segunda-feira relataram que o estado de saúde dela atingiu um ponto crítico, com a pressão arterial em níveis perigosos e sem resposta aos medicamentos administrados.
As autoridades iranianas recusaram os pedidos para suspender temporariamente a pena, o que permitiria que a ativista recebesse atendimento cardíaco especializado, apesar das recomendações médicas. A família teme pela vida dela.
Família clama por socorro
“Todos os dias acordo com medo de receber a notícia da morte dela. Palavras não conseguem descrever a devastação que nossa família está sentindo. Isso não é mais apenas prisão, é uma morte em câmera lenta”, disse o irmão da ativista, Hamidreza Mohammadi.
Mohammadi, de 53 anos, está presa desde dezembro de 2025 por criticar o governo iraniano. Esta é a detenção mais recente de uma ativista conhecida por décadas de oposição a políticas como o uso obrigatório do véu para mulheres e a pena de morte.
Condenação e isolamento
Em fevereiro, Mohammadi foi sentenciada a sete anos e meio de prisão por atentar contra a segurança nacional e fazer propaganda contra o regime. No mesmo mês, foi transferida sem aviso prévio para a penitenciária de Zanjan, no norte do Irã, onde perdeu todo contato com a família – situação agravada pelo início da guerra no Oriente Médio.
A ativista sofre de problemas cardíacos e já passou por incidentes semelhantes em prisões anteriores. Em 2022, chegou a ser submetida a uma cirurgia de emergência.
A Fundação Narges e a família continuam a pressionar as autoridades iranianas por tratamento médico adequado, enquanto a comunidade internacional acompanha com preocupação o estado de saúde da laureada com o Nobel.



