Japão dispara mísseis em exercício militar e irrita China: 'É preparação para guerra'
Japão dispara mísseis e irrita China: 'É preparação para guerra'

O Japão disparou nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026, dois mísseis Type-88, que atingiram e afundaram um navio desativado da Marinha das Filipinas em águas próximas ao Mar da China Meridional. A ação provocou forte reação do governo chinês, que classificou o movimento como uma escalada militar e uma ameaça à estabilidade regional.

Detalhes do exercício militar

O lançamento dos mísseis fez parte de um exercício militar conjunto com tropas dos Estados Unidos, Austrália e Filipinas. Além desses países, contingentes da França, Nova Zelândia e Canadá também participaram do treinamento. A embarcação alvo estava localizada entre as Filipinas e Taiwan, uma pequena nação insular que a China considera uma província rebelde e parte de seu território.

A cena foi acompanhada de longe pelos ministros da Defesa do Japão e das Filipinas, em Ilocos Norte, uma província filipina a cerca de 400 quilômetros de Taiwan. O exercício, que mobilizou 17 mil militares ao longo de 19 dias, termina nesta sexta-feira, 8 de maio.

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Reação da China

A notícia não foi bem recebida pelo governo chinês, que não poupou críticas ao que chamou de "agressor". O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que "as forças de direita do Japão estão pressionando por um processo de 'remilitarização' acelerado". Ele também alegou que Tóquio repetidamente ultrapassa limites através de sua política "exclusivamente voltada para a defesa".

Lin Jian relembrou o histórico japonês de conflitos com países asiáticos e declarou: "O antigo agressor não só deixou de refletir profundamente sobre os seus crimes históricos, como também enviou forças militares para o exterior e lançou mísseis ofensivos sob o pretexto da chamada 'cooperação em segurança'". Ele concluiu que "uma grave deficiência no ensino de história e erros fundamentais na perspectiva histórica, aliados a planos estratégicos de fortalecimento militar e preparação para a guerra, permitiram que o 'neomilitarismo' japonês ganhasse força e se tornasse um flagelo, ameaçando a paz e a estabilidade regional".

Crise diplomática entre Japão e China

O exercício militar faz parte dos planos da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, de endurecer as políticas de segurança do país. Em 27 de abril, ela citou a China como uma grande ameaça durante uma reunião com especialistas. Em novembro de 2025, Takaichi provocou o mais sério conflito diplomático em anos com Pequim ao declarar, perante o Parlamento, que um ataque chinês a Taiwan que ameaçasse o Japão poderia desencadear uma resposta militar. Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores da China exigiu que a premiê se retratasse, mas Tóquio descartou a possibilidade.

Medidas retaliatórias

Em meio à crise, a embaixada do Japão em Pequim fez um alerta de segurança aos cidadãos japoneses, recomendando que respeitem os costumes locais, estejam atentos ao entorno, evitem ficar sozinhos e tenham cautela extra ao acompanhar crianças. A China, por sua vez, desaconselhou viagens ao Japão. Mais de 10 companhias aéreas chinesas, como Air China, China Eastern Airlines e China Southern Airlines, ofereceram reembolsos para voos com destino ao Japão até 31 de dezembro, enquanto a Sichuan Airlines cancelou os planos para a rota Chengdu-Sapporo até pelo menos março de 2027, informou a mídia estatal.

O governo de Xi Jinping também suspendeu importações de frutos do mar do Japão. A medida ocorreu meses depois de Pequim ter revogado parcialmente uma restrição anterior, emitida em 2023. Antes disso, o mercado chinês – incluindo Hong Kong – representava mais de um quinto das exportações japonesas. A imprensa japonesa informou que autoridades em Pequim teriam dito que a decisão estava relacionada à necessidade de monitorar melhor a qualidade da água, mas, dado o contexto, foi interpretada como medida retaliatória.

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