Irã ignora proposta de paz dos EUA e critica 'ações irresponsáveis' americanas
Irã ignora proposta de paz dos EUA e critica ações americanas

O Irã ainda não respondeu à proposta de paz apresentada pelos Estados Unidos, contrariando as expectativas do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que esperava um retorno até esta sexta-feira, 8 de maio. O silêncio de Teerã ocorre em meio a um cenário de crescente tensão entre os dois países, com acusações mútuas e ações militares pontuais.

Ataques a petroleiros e condenação iraniana

Mais cedo, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou ter atacado dois petroleiros de bandeira iraniana que tentavam violar o bloqueio naval americano. Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, condenou duramente o que chamou de “aventureirismo e comportamento desonesto” dos EUA. Em uma publicação no X, antigo Twitter, Baghaei afirmou: “Eufemismos ardilosos e ingênuos como ‘um tapinha leve’ não podem apagar a profunda desgraça nascida do narcisismo, da ganância, do erro de cálculo imprudente e da irresponsabilidade sem lei”. Ele acrescentou que “as consequências desse aventureirismo caprichoso e desse comportamento irresponsável agora estão claras para o mundo inteiro”, e que “tuítes desconexos e delirantes não têm mais qualquer influência sobre a realidade”.

Ironia do chanceler iraniano

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, também se manifestou, ironizando a postura americana. Ele declarou que “toda vez que uma solução diplomática está sobre a mesa, os EUA optam por uma aventura militar irresponsável”. Araghchi questionou se essa seria “uma tática grosseira de pressão” ou “o resultado de mais um sabotador enganando o POTUS e arrastando-o para outro atoleiro”. Ele concluiu: “Sejam quais forem as causas, o resultado é o mesmo: os iranianos nunca se curvam à pressão e a diplomacia é sempre a vítima”.

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Detalhes da proposta de paz

O acordo proposto pelos EUA inclui, entre outras disposições, o compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento de urânio, enquanto os Estados Unidos suspenderiam sanções e liberariam bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas no exterior. Ambos os lados concordariam em suspender restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz. O acordo encerraria a guerra na região, iniciando um período de 30 dias de negociações para um acordo detalhado sobre a abertura do estreito, a limitação do programa nuclear iraniano e a suspensão das sanções americanas. Durante esse período, as restrições iranianas à navegação e o bloqueio naval americano seriam gradualmente suspensos. As tratativas adicionais poderiam ocorrer em Islamabad, capital do Paquistão, ou em Genebra.

Negociações sobre o programa nuclear

A duração da moratória no programa nuclear iraniano ainda está em negociação. Na primeira rodada de negociações, em 11 de abril, que terminou em fracasso, os Estados Unidos exigiram uma pausa de 5 anos, enquanto o Irã ofereceu 5 anos, proposta já descartada. Agora, segundo o site Axios, as conversas giram em torno de 12 a 15 anos. Washington deseja incluir uma cláusula segundo a qual qualquer violação das normas de enriquecimento prolongaria a moratória, enquanto Teerã poderia enriquecer urânio até o nível baixo de 3,67% após o término da proibição. A República Islâmica também se comprometeria a jamais ter uma arma nuclear e aceitaria um regime de inspeções reforçado, incluindo visitas surpresa de fiscais das Nações Unidas.

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