O assessor do líder supremo do Irã, Mohammad Mokhber, declarou nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, que o Estreito de Ormuz representa uma oportunidade estratégica comparável a uma bomba atômica. A passagem, essencial para o comércio global de petróleo, está bloqueada pelo Irã desde o início do conflito com Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro.
Declaração de Mokhber
“Durante anos, negligenciamos o privilégio do Estreito de Ormuz. O Estreito de Ormuz representa uma oportunidade tão valiosa quanto uma bomba atômica”, afirmou Mokhber, assessor de Mojtaba Khamenei. Ele acrescentou que “ter em nossas mãos uma posição que nos permite influenciar a economia mundial com uma única decisão é uma oportunidade significativa”. O assessor prometeu não perder “sob nenhuma circunstância as conquistas desta guerra”. Mokhber também sugeriu que o regime jurídico da passagem poderia ser alterado com base no direito internacional ou na legislação nacional, se necessário.
Contexto do bloqueio
O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã começou em 28 de fevereiro, após ataques dos EUA e Israel ao território iraniano. A passagem é vital para o comércio internacional de petróleo, e sua interrupção tem gerado impactos significativos na economia global.
Proposta de acordo dos EUA
A advertência de Mokhber ocorre enquanto o governo iraniano analisa uma proposta de 14 pontos apresentada pelos Estados Unidos para encerrar o conflito e reabrir o estreito. Segundo o portal Axios, o memorando inclui:
- Compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento de urânio;
- Suspensão de sanções dos EUA, com liberação de bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas no exterior;
- Suspensão de todas as restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz por ambas as partes.
O acordo prevê um período de 30 dias de negociações para detalhar a abertura do estreito, a limitação do programa nuclear iraniano e a suspensão das sanções americanas. Durante esse período, as restrições iranianas à navegação e o bloqueio naval americano seriam gradualmente suspensos. As tratativas adicionais poderiam ocorrer em Islamabad, capital do Paquistão, ou em Genebra.
Detalhes da moratória nuclear
A duração da moratória no programa nuclear iraniano ainda está em negociação. Na primeira rodada de negociações, em 11 de abril, que terminou sem acordo, os EUA exigiram uma pausa de 5 anos, enquanto o Irã ofereceu 5 anos, proposta já descartada. Agora, segundo o Axios, fala-se em um período entre 12 e 15 anos. Washington também deseja inserir uma cláusula que prolongue a moratória em caso de violação das normas de enriquecimento. Após o término da proibição, o Irã poderia enriquecer urânio até o nível baixo de 3,67%. A República Islâmica se comprometeria a nunca desenvolver armas nucleares e aceitaria um regime de inspeções reforçado, incluindo visitas surpresa de fiscais da ONU.



