Satélites mostram que Irã atacou mais de 200 alvos militares dos EUA, diz jornal
Irã atacou mais de 200 alvos militares dos EUA, diz jornal

Imagens de satélite divulgadas pelo jornal americano The Washington Post revelaram que os ataques aéreos iranianos danificaram ou destruíram ao menos 228 estruturas e equipamentos em instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. A análise, publicada nesta quarta-feira, 6 de maio de 2026, aponta que o número de alvos atingidos é muito maior do que as estimativas do governo de Donald Trump.

Danos extensos em bases americanas

Segundo o jornal, os ataques iranianos alvejaram hangares, quartéis, depósitos de combustível, aeronaves e equipamentos de comunicação e radar em 15 instalações militares dos EUA na região. A ameaça levou à redução dos efetivos em bases americanas, com tropas transferidas para locais distantes do alcance de fogo ainda no início do conflito, relataram autoridades. Dados do Exército dos EUA mostram que sete militares morreram e outros 400 ficaram feridos até o final de abril.

Dificuldade na obtenção de imagens

O The Post afirmou que obter imagens de satélite tem sido “excepcionalmente difícil” devido ao pedido da Casa Branca para que dois dos maiores fornecedores comerciais, Vantor e Planet, limitem, atrasem ou suspendam a divulgação dessas informações enquanto o confronto estiver em curso. A restrição foi implementada nas primeiras duas semanas da guerra.

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Em contrapartida, agências de notícias ligadas ao governo iraniano têm publicado registros orbitais de alta resolução para documentar os danos às instalações americanas. Para chegar ao número de 228 alvos, o The Washington Post revisou mais de 100 imagens de satélites divulgadas por Teerã, comparando-as com outras de qualidade inferior do sistema Copernicus da União Europeia e, quando disponíveis, fotos da Planet. Do total, apenas 19 imagens iranianas foram consideradas inconclusivas e excluídas da análise. O jornal encontrou, através da Planet, 10 estruturas atingidas não documentadas pelo Irã.

Alvos deliberados e capacidade subestimada

William Goodhind, investigador do projeto de pesquisa de acesso aberto Contested Ground, que analisou as imagens, disse ao The Post: “Os iranianos alvejaram deliberadamente edifícios de alojamento em vários locais com a intenção de causar baixas em massa. Não se trata apenas de equipamentos, depósitos de combustível e infraestrutura da base aérea sob fogo, mas também de alvos vulneráveis, como ginásios, refeitórios e alojamentos.”

Mais da metade dos danos está concentrada no quartel-general da 5ª Frota e nas três bases no Kuwait: Base Aérea de Ali al-Salem, Campo Arifjan e Campo Buehring. Um oficial americano, sob condição de anonimato, disse que as bases no Bahrein e no Kuwait foram duas das mais afetadas, pois permitiram ataques dos EUA a partir de seus territórios.

O jornal também descobriu que os ataques atingiram um centro de comunicações via satélite na Base Aérea de al-Udeid, no Catar; equipamentos de defesa antimíssil Patriot nas bases aéreas de Riffa e Isa, no Bahrein, e na Base Aérea de Ali al-Salem, no Kuwait; uma antena parabólica na Atividade de Apoio Naval do Bahrein; uma usina de energia no Campo Buehring; e cinco locais de armazenamento de combustível em três bases.

Resiliência iraniana surpreende analistas

Especialistas ouvidos pelo The Washington Post apontaram que a dimensão dos ataques revelou que as forças iranianas foram mais resilientes do que o esperado pelo governo Trump. Kelly Grieco, pesquisadora sênior do Stimson Center, afirmou ao veículo que os planos para destruir a capacidade militar de Teerã subestimaram “a profundidade da inteligência de mira pré-posicionada do Irã sobre a infraestrutura fixa dos EUA”.

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