A França deslocou nesta quarta-feira, 6, seu principal grupo de ataque naval ao Mar Vermelho, em um movimento estratégico voltado para uma possível missão internacional que visa garantir a navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do comércio global de energia. A iniciativa, coordenada com o Reino Unido, busca pressionar Estados Unidos e Irã a separarem o impasse sobre o estreito do restante do conflito regional, em meio a novos confrontos e impactos crescentes na economia mundial.
O grupo naval francês é liderado pelo Charles de Gaulle, um porta-aviões de propulsão nuclear que segue em direção ao sul do Mar Vermelho acompanhado por navios de guerra aliados, incluindo embarcações da Itália e da Holanda. A movimentação, segundo o governo francês, tem como objetivo antecipar cenários e preparar uma eventual operação multinacional de escolta marítima na região.
“O bloqueio de Ormuz continua, os danos à economia global estão se tornando cada vez mais graves e o risco de prolongamento das hostilidades é sério demais para ser ignorado”, afirmou um representante do Palácio do Eliseu. De acordo com assessores do presidente Emmanuel Macron, a decisão responde ao agravamento das tensões no Oriente Médio, especialmente após novos confrontos registrados no início da semana, que colocaram fim a uma trégua frágil de quatro semanas.
Nesta manhã, porém, a Guarda Revolucionária Islâmica anunciou que garantirá a navegação “segura e estável” na hidrovia estratégica, um dia após o presidente Donald Trump suspender a operação militar da Marinha americana para escoltar navios através da passagem. Enquanto isso, as negociações diplomáticas para o fim da guerra avançam, apesar de constantes trocas de insultos — o ocupante do Salão Oval prometeu retomar bombardeios “com ainda mais força” caso a República Islâmica não aceite a mais recente proposta americana à sua mesa, enquanto o principal negociador iraniano acusou os Estados Unidos de tentarem “forçar a rendição” de seu país.
Proposta franco-britânica
A França e o Reino Unido vêm trabalhando há semanas em uma proposta diplomática e militar que prevê a criação de uma força multinacional para garantir a livre navegação na rota responsável por cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo. O plano, no entanto, depende diretamente de um entendimento entre Washington e Teerã.
A sugestão europeia é que o impasse sobre o Estreito de Ormuz seja tratado separadamente das demais disputas, como o programa nuclear iraniano e questões de segurança regional. Pela proposta, os Estados Unidos suspenderiam seu bloqueio naval na área, enquanto o Irã se comprometeria a retomar negociações mais amplas posteriormente para abordar temas sensíveis, incluindo armamentos e influência regional. Em troca, uma coalizão internacional garantiria a segurança dos navios comerciais que atravessam a rota.
O controle sobre o estreito, por onde costumam passar 20% do petróleo e gás consumidos no planeta, é considerado uma das principais cartas de barganha de Teerã nas negociações com os americanos. Ainda assim, autoridades francesas insistem que há um “interesse comum” em evitar a escalada do conflito e restaurar a confiança nos mercados internacionais, especialmente diante da volatilidade do petróleo, que tem oscilado em torno de 100 dólares por barril.



