O contrabando de produtos do Paraguai para o Brasil movimenta cerca de 60 bilhões de reais por ano, consolidando-se como uma das atividades mais lucrativas do crime organizado no país, de acordo com estudo divulgado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF). A pesquisa aponta que as margens de lucro das organizações criminosas podem chegar a 507%, impulsionadas principalmente pela diferença de preços e pela carga tributária entre os dois países.
Impacto econômico e comparação com comércio legal
O fluxo clandestino de mercadorias já supera a balança comercial oficial entre Brasil e Paraguai, estimada em 7,2 bilhões de dólares (cerca de 36 bilhões de reais na cotação atual). O estudo do IDESF também destaca que o mercado ilegal deixou de ser pulverizado e passou a ser controlado por facções criminosas, que operam com logística estruturada e custo médio padronizado.
Produtos mais contrabandeados
Entre os produtos mais contrabandeados, o cigarro lidera em volume e rentabilidade. O item representa 38,8% do valor das apreensões realizadas pela Receita Federal e registra margens superiores a 500%, favorecidas pela diferença de preços, que pode ultrapassar sete vezes entre os dois países. O instituto afirma que 96% da produção de cigarros no Paraguai é destinada ao contrabando.
No Brasil, os cigarros ilegais já correspondem a cerca de 31% do mercado nacional, tornando-se uma importante fonte de financiamento para organizações criminosas. Segundo o estudo “Follow the Products”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a rentabilidade do cigarro ilegal rivaliza com a da cocaína: são 10,3 bilhões de reais contra 15 bilhões de reais.
Os cigarros eletrônicos figuram como uma das principais novas frentes do contrabando. O segmento registrou movimentação superior a 440 milhões de reais entre 2020 e 2025, apesar da proibição determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2019.
Novos segmentos e apreensões
O mercado ilegal tem ampliado sua atuação para novos segmentos. Medicamentos, celulares e eletrônicos aparecem entre os produtos mais lucrativos, com margens de ganho que chegam a 415% e 390%, respectivamente, segundo o estudo. Outro produto que entrou no radar das autoridades são as chamadas canetas emagrecedoras. Apenas em 2025, a Receita Federal apreendeu cerca de 30 mil unidades, volume muito superior às 2.544 apreensões registradas em 2024.
Causas e consequências
Para os especialistas do IDESF, a elevada diferença tributária entre Brasil e Paraguai é um dos principais fatores que alimentam o contrabando. O relatório afirma que, além dos impactos econômicos, o avanço do mercado ilegal fortalece financeiramente organizações criminosas e amplia seus efeitos sobre a segurança pública no país.



