Justiça de SP rejeita recuperação judicial do Jockey Club por ser associação sem fins lucrativos
Justiça barra recuperação judicial do Jockey Club de São Paulo

Justiça de São Paulo nega pedido de recuperação judicial do Jockey Club

A 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) rejeitou, por maioria de votos, o pedido de recuperação judicial do Jockey Club de São Paulo. Os desembargadores entenderam que a entidade, por ser uma associação civil sem fins lucrativos, não pode utilizar o mecanismo previsto na Lei de Recuperação de Empresas e Falência (LREF).

Fundamento legal impede aplicação da lei

O principal argumento adotado pelo TJSP é que a LREF é restrita a empresários e sociedades empresárias, não se estendendo a associações civis. O tribunal rejeitou a possibilidade de aplicar a lei por analogia, afirmando que "não há lacuna normativa que permita a aplicação analógica da LREF às associações, que possuem regime próprio, de insolvência civil".

No voto, o relator destacou que fatores como a importância histórica do Jockey Club ou a ausência de um regime mais adequado para sua crise financeira não autorizam a intervenção judicial para criar novas hipóteses legais. A decisão ainda menciona que o Congresso Nacional já discutiu e rejeitou a ampliação do acesso à recuperação judicial para entidades não empresárias durante a reforma da lei em 2020.

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Crise financeira acumula dívidas milionárias

O Jockey Club de São Paulo, inaugurado em 25 de janeiro de 1941 na Zona Oeste da capital paulista, enfrenta uma crise financeira há anos. Segundo a Câmara Municipal, a entidade acumula dívidas que chegam a aproximadamente R$ 830 milhões em tributos municipais, incluindo IPTU e ISS.

Em novembro do ano passado, vereadores instalaram uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar esses débitos e possíveis irregularidades no uso de recursos públicos destinados ao restauro do patrimônio histórico do clube.

Credores argumentaram contra o pedido

Nos recursos analisados pelo TJSP, credores apresentaram diversas alegações contra o pedido de recuperação judicial:

  • O Jockey Club teria utilizado o pedido como estratégia para suspender execuções em andamento
  • A entidade tentou caracterizar suas atividades como empresariais para justificar o pedido
  • Não foram apresentadas demonstrações suficientes de viabilidade econômico-financeira

O tribunal também apontou que permitir que associações ingressem nesse regime sem previsão legal alteraria as condições originalmente pactuadas nas relações jurídicas, criando insegurança e violando princípios constitucionais como a legalidade e o devido processo legal.

Consequências da decisão

O acórdão destaca que a medida poderia impor restrições aos credores sem base legal, além de gerar desequilíbrios concorrenciais no mercado, uma vez que associações já contam com benefícios próprios, como isenções fiscais. A corte ressaltou que não cabe ao Judiciário ampliar o alcance da lei para incluir situações não previstas pelo legislador, mesmo diante da relevância histórica ou social da instituição.

A decisão representa um obstáculo significativo para o Jockey Club de São Paulo, que agora precisa buscar alternativas dentro do regime civil para resolver sua grave situação financeira, enquanto enfrenta investigações parlamentares sobre o uso de recursos públicos e o montante de suas dívidas tributárias.

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