Justiça do Maranhão decreta intervenção estadual em Turilândia após desvio de R$ 56 milhões
Intervenção estadual em Turilândia após desvio de R$ 56 milhões

O Tribunal de Justiça do Maranhão determinou uma intervenção estadual no município de Turilândia, localizado no interior do estado, após investigações que apontam um desvio de aproximadamente R$ 56 milhões dos cofres públicos. A medida excepcional foi decretada no dia 26 de janeiro, atendendo a um pedido formal do Ministério Público do Maranhão, que identificou graves irregularidades na gestão municipal.

Nomeação do interventor e prazo da intervenção

Na tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, que atua sem partido, anunciou oficialmente a nomeação do defensor público Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo como interventor responsável pela administração de Turilândia. A escolha recaiu sobre um perfil técnico, com experiência em questões administrativas e institucionais, conforme destacou o próprio governador.

O nome do interventor foi encaminhado à Assembleia Legislativa do Maranhão para a necessária aprovação dos deputados estaduais. A intervenção terá um prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação caso não seja restabelecida a normalidade institucional no município. O objetivo principal é garantir a prestação de serviços públicos essenciais e assegurar o cumprimento de decisões judiciais.

Condições estabelecidas pelo Tribunal de Justiça

O Tribunal de Justiça do Maranhão estabeleceu condições específicas para a intervenção, limitando-a ao Poder Executivo municipal. As funções legislativas permanecem sob responsabilidade da Câmara Municipal de Turilândia. Além disso, o interventor terá um prazo de 90 dias para apresentar um relatório circunstanciado, contendo um diagnóstico detalhado da gestão e as providências adotadas para sanar as irregularidades.

Contexto das investigações e representação do MP

A decisão judicial ocorre em um cenário de investigações profundas envolvendo o prefeito Paulo Curió, do União Brasil, a vice-prefeita Tânya Karla, a ex-vice-prefeita Janaina Soares e sete familiares, além de onze vereadores. Eles são acusados de integrar uma organização criminosa que atuaria no desvio de recursos públicos desde 2021.

O Ministério Público do Maranhão apresentou uma representação detalhada, apontando que práticas ilegais comprometeram seriamente serviços essenciais como saúde, educação, transporte e segurança, deixando a população local em situação de desassistência. As principais irregularidades incluem:

  • Desvio de recursos públicos em larga escala
  • Fraudes em contratos e licitações
  • Descumprimento sistemático de decisões judiciais
  • Atuação de organização criminosa dentro da estrutura administrativa municipal

Segundo o procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo José de Castro Ferreira, medidas judiciais tradicionais mostraram-se insuficientes para conter as ilegalidades, que persistiram mesmo após operações policiais e decisões judiciais. Ele enfatizou que a situação em Turilândia representa uma ruptura institucional grave, não se tratando de meros desajustes administrativos.

Perfil do novo interventor

Thiago Josino Carrilho de Arruda Macêdo, o interventor nomeado, atua como coordenador da Central de Relacionamento com o Cidadão da Defensoria Pública do Estado do Maranhão. Ele também foi empossado recentemente como presidente do Conselho Penitenciário do Maranhão para o biênio 2024-2026. Com pós-graduação em Direito Público e Educação em Direitos Humanos, sua trajetória profissional é voltada para a área institucional, administrativa e defesa de direitos fundamentais.

Denúncia do Ministério Público e crimes apontados

No dia 19 de janeiro, o Ministério Público do Maranhão formalizou uma denúncia contra o prefeito Paulo Curió e seus aliados, acusando-os de diversos crimes. O prefeito é apontado como líder da organização criminosa, utilizando seu cargo para manter o funcionamento do esquema de desvios. As acusações incluem:

  1. Organização criminosa
  2. Desvio de rendas e valores públicos
  3. Fraude a licitações
  4. Corrupção passiva
  5. Lavagem de dinheiro

Os familiares e integrantes do núcleo político são acusados de atuar como laranjas, ajudando a movimentar, ocultar e dissimular os valores desviados. O MP-MA pede o ressarcimento integral dos R$ 56,3 milhões, a perda de bens ligados ao esquema e a manutenção das medidas cautelares já determinadas.

Operação Tântalo II e alcance das investigações

A Operação Tântalo II, deflagrada em 22 de dezembro, investiga o desvio de recursos principalmente das áreas da Saúde e da Assistência Social. Além dos gestores municipais, empresários, servidores públicos e vereadores estão sob investigação por suposta participação no esquema de corrupção. As irregularidades teriam ocorrido entre 2021 e 2025, durante a gestão do prefeito Paulo Curió.

O Ministério Público informou que deve apresentar, nos próximos dias, uma nova denúncia contra os onze vereadores que estão em prisão domiciliar e contra servidores suspeitos de integrar o esquema. Se aceita pela Justiça, os investigados se tornam réus e passam a responder judicialmente pelos crimes apontados.

A situação em Turilândia representa um caso emblemático de anomalia institucional, conforme destacou o procurador-geral de Justiça, exigindo medidas excepcionais para restabelecer a normalidade democrática e garantir os direitos da população local.