Impeachment de ministros do STF vira bandeira central nas eleições para o Senado em 2026
Impeachment do STF vira bandeira central nas eleições para Senado

Impeachment de ministros do STF se torna bandeira central nas eleições para o Senado

As eleições de 2026 terão o Supremo Tribunal Federal como um dos temas dominantes, ao lado de segurança, inflação e saúde. Levantamentos de institutos de pesquisa revelam que eleitores que se preocupam com essas questões tradicionais também consideram crucial votar em candidatos comprometidos com o impeachment de ministros da Corte.

Cenário adverso ao Judiciário rende milhões de votos

Cientes de que esse cenário adverso ao Judiciário pode render milhões de votos, partidos e políticos estão redefinindo suas plataformas eleitorais e ajustando discursos para um terreno perigoso. O escândalo do Banco Master aprofundou a crise de imagem da Corte, polarizando o debate político e moldando a corrida eleitoral de forma inédita.

O Novo, partido que tem o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema como principal estrela, publicou diretrizes exigindo que postulantes a uma cadeira no Senado assumam compromisso explícito de defender o impeachment de ministros do STF. "A população tem a expectativa de que a política dê uma resposta a este Judiciário que abusou do seu poder", afirma Eduardo Ribeiro, presidente da legenda.

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Pesquisas apontam mudança radical na percepção pública

Levantamento do Meio/Ideia mostra que 42,5% dos eleitores consideram a concentração de poder no Judiciário como principal ameaça à democracia, patamar muito acima de chagas históricas como a corrupção. Há pouco tempo, o STF era celebrado como instituição que garantiu a democracia após 8 de janeiro de 2023. Agora, enfrenta desconfiança de metade da população.

No PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, os candidatos ao Senado estão sendo escolhidos pessoalmente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem lista com mais de trinta postulantes. Em Brasília, duas pré-candidatas do partido lideram pesquisas:

  • Michelle Bolsonaro, que classificou o Supremo como "ditadura judicial"
  • Deputada Bia Kicis, que há muito defende punições aos magistrados

Escândalo do Banco Master amplia crise de imagem

O caso do Master ampliou a percepção negativa sobre o STF, com revelações sobre ligações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades, incluindo ministros do Supremo. Entre as descobertas:

  1. Contrato entre o Master e escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes no valor de 129 milhões de reais
  2. Recebimento de 80,2 milhões de reais pelo escritório entre 2024 e 2025
  3. Uso de jatos do empresário para transporte de ministros
  4. Negócios privados do ministro Dias Toffoli com empresas do banqueiro

Há cerca de cinquenta pedidos de impeachment no Senado apenas contra Alexandre de Moraes. O presidente Lula também decidiu tirar proveito político da impopularidade do STF, sugerindo que Moraes se declarasse impedido de julgar processos relacionados ao Master.

Estratégia eleitoral busca maioria no Senado

O partido PL calcula que vai eleger 25 senadores com essa proposta e ter apoio de pelo menos outros vinte aliados com a mesma bandeira a partir de 2027. Com isso, em tese teria chances de emplacar o futuro presidente do Senado, a quem cabe dar início à tramitação dos procedimentos de impeachment, e votos suficientes para levar adiante o processo.

Há pelo menos cinquenta pré-candidatos a senador distribuídos por vários partidos que pretendem concorrer ancorados em discursos críticos ao STF. As cobranças por compromisso com impeachment são públicas, como ocorreu na cerimônia de lançamento da pré-candidatura do deputado Domingos Sávio em Minas Gerais.

Enquanto alguns defendem que o comportamento dos ministros não está imune a críticas e aos rigores da lei, outros alertam que transformar o STF na vidraça da vez como maior plataforma eleitoral pode não ser o debate que o país merece para um cargo tão importante quanto o de senador.

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