Contrato de R$ 3,6 mi e pressão no BC: as graves acusações contra Moraes
Alexandre de Moraes acusado de pressão por Banco Master

Uma revelação publicada nesta segunda-feira, 22 de dezembro de 2025, coloca o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no centro de uma grave acusação de mistura indevida entre interesses privados e a função pública. A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, trouxe à tona informações que, se confirmadas, apontam para um possível esquema de tráfico de influência envolvendo o magistrado.

O contrato milionário e as pressões no Banco Central

O caso tem origem em um contrato firmado pelo escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. O acordo, com vigência a partir de janeiro de 2024, previa o pagamento de R$ 3,6 milhões mensais por três anos, totalizando um valor superior a R$ 129 milhões.

O objeto do contrato era a representação do banco junto a órgãos públicos como a Receita Federal, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e, principalmente, o Banco Central do Brasil. No entanto, a situação ganhou contornos alarmantes com a nova informação da coluna: Alexandre de Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes para pressionar em favor do Banco Master.

A lacuna inquietante nos registros públicos

Outro dado, obtido via Lei de Acesso à Informação, aumenta o nível de gravidade das suspeitas. Apesar do contrato prever atuação junto ao poder público, não existem registros públicos de reuniões ou contatos do escritório de Viviane Barci com o Banco Central em nome do Banco Master.

Essa ausência não é um mero detalhe burocrático. Ela impede a transparência e o devido controle sobre com quem o escritório tratou, em que circunstâncias e por quais vias institucionais. A falta de registro oficial contrasta fortemente com a alegação de que o próprio ministro, em posição de altíssima influência, teria feito gestões diretas.

Silêncio que gera mais suspeitas e a exigência de respostas

Diante da contundência das revelações, o silêncio tanto do ministro Alexandre de Moraes quanto do escritório de sua esposa se tornou insustentável. Especialistas consultados pela reportagem original alertam que, confirmados os fatos, não se trataria de uma mera irregularidade, mas de indícios de crimes graves.

Juristas de autoridade apontam para a possibilidade de configuração de tráfico de influência e até mesmo de organização criminosa. O Estado Democrático de Direito, frequentemente defendido pelo ministro em suas decisões, não pode conviver com esse nível de promiscuidade entre o público e o privado, especialmente quando envolve um dos onze membros da mais alta corte do país.

A exigência por esclarecimentos claros, objetivos e documentados ao povo brasileiro é imediata. A sociedade aguarda uma resposta que vá além do silêncio, que apenas corrói a confiança nas instituições e fortalece a percepção de que cargos públicos estariam sendo usados para viabilizar lobbies milionários.