OMS não emitiu alerta global sobre vírus Nipah após Carnaval: desmentimos fake news
Circula nas redes sociais uma publicação falsa que alega que a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um "alerta para risco global de vírus Nipah após o Carnaval". A informação é #FAKE e não corresponde à realidade dos fatos divulgados pelas autoridades sanitárias internacionais.
Como surgiu a informação falsa?
O post foi publicado no Facebook na sexta-feira, dia 30 de janeiro, apenas quatro dias após a OMS ser notificada sobre a confirmação de dois casos de contaminação por Nipah na Índia. Os pacientes são profissionais de saúde, e as autoridades locais colocaram aproximadamente 110 pessoas em quarentena como medida preventiva.
O conteúdo enganoso exibe uma imagem de microscópio de um vírus e inclui um texto que afirma:
"OMS alerta para risco global de Nipah após o Carnaval. Com o aumento de viagens internacionais e grandes aglomerações, especialistas alertam para o risco de proliferação de doenças. A OMS acompanha casos do vírus Nipah na Índia e, embora o risco global seja considerado baixo, reforça a importância da vigilância e do monitoramento sanitário. Até o momento, não há registros no Brasil, mas o período pós-carnaval exige atenção redobrada das autoridades de saúde".
Entretanto, essa afirmação não é verdadeira. A OMS classificou oficialmente que o risco para a saúde pública global é baixo e não fez qualquer recomendação específica para o período após o Carnaval no Brasil.
O que realmente diz a OMS sobre o vírus Nipah?
Em uma publicação oficial no site da organização, datada de 30 de janeiro, a OMS deixou claro que o risco da doença para a saúde pública global é considerado baixo. A entidade também dispensou medidas de restrição de viagens à Índia, entendendo que há baixo risco de propagação do vírus internacionalmente.
No mesmo dia, o Ministério da Saúde do Brasil publicou uma nota em seu site oficial com o título: "Entenda por que o risco do vírus Nipah é baixo e não ameaça o Brasil". O comunicado afirma categoricamente que não há "nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira".
Características e riscos do vírus Nipah
O vírus Nipah pode causar infecções respiratórias agudas e encefalite, que é o inchaço do cérebro. A doença apresenta uma taxa de letalidade alarmante, podendo matar até 75% dos infectados. A transmissão ocorre entre humanos e por meio de animais como morcegos e porcos.
Identificado pela primeira vez em 1999 na Malásia, o vírus já causou surtos em países como Índia e Bangladesh. Apesar de a OMS apontar um baixo risco de transmissão global, a entidade classifica o Nipah como um vírus prioritário devido à sua capacidade potencial de desencadear uma epidemia. Atualmente, não há vacina para prevenir a infecção e nenhum medicamento específico para curar a doença.
Por que a fake news é perigosa?
A disseminação de informações falsas sobre saúde pública pode gerar pânico desnecessário e desviar a atenção de questões sanitárias reais. Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que a preocupação maior com o vírus Nipah fica restrita à Índia e a países vizinhos, que abrigam o hospedeiro principal do vírus: um tipo específico de morcego frutífero.
É fundamental que a população busque informações em fontes oficiais e confiáveis, como os sites da OMS e do Ministério da Saúde, para evitar a propagação de notícias enganosas que podem comprometer a resposta adequada às verdadeiras emergências de saúde.
Até o momento, não há registros da doença em nenhum país da América Latina, e as autoridades sanitárias brasileiras mantêm o monitoramento de rotina sem indicativos de risco aumentado relacionado ao período pós-carnaval.