Mulher confessa fake news sobre morte do cão Orelha em SC; caso retorna à polícia
Fake news confessa sobre morte de cão Orelha; caso volta à polícia

Fake news confessa ter viralizado após morte brutal de cão comunitário em Santa Catarina

As investigações sobre a morte do cão comunitário Orelha, em Praia Brava, na capital de Santa Catarina, foram marcadas por uma série de notícias falsas que se espalharam rapidamente, afetando inclusive pessoas sem relação com os suspeitos. Uma dessas fake news alegava a existência de um vídeo em que quatro adolescentes teriam sido flagrados agredindo o animal, um registro que, na verdade, nunca existiu.

Confissão em rede nacional e repercussão do caso

No final da semana passada, o Ministério Público identificou lacunas nas investigações e decidiu solicitar novas diligências à polícia. Em meio a isso, a mulher responsável por compartilhar a notícia falsa concedeu uma entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, na noite de domingo, 8 de fevereiro. Ela confirmou que a informação era falsa, dizendo: "Partiu de mim o post que contou (sobre o suposto vídeo). Só que eu não imaginei que fosse repercutir tanto". Sua identidade foi preservada durante a entrevista.

Mais adiante, ela complementou: "Pequei", explicando que ouviu falar da existência do vídeo e repassou a informação sem ter certeza de sua veracidade. No entanto, ao ver a enorme repercussão do caso e a onda de fúria direcionada aos quatro suspeitos, ela se arrependeu profundamente.

Andamento das investigações e indiciamento

Na véspera de completar um mês da agressão que causou a morte de Orelha, a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito e indiciou um adolescente de quinze anos. Segundo as investigações, ele estava presente no local e horário da agressão ao cachorro e mentiu para os investigadores, alegando ter ficado dentro do condomínio fechado onde mora. A defesa do rapaz alega que ele é inocente, enquanto os outros três jovens expostos durante a repercussão do caso não foram indiciados pela polícia.

Outras notícias falsas e impactos negativos

Além da fake news sobre o vídeo, outras informações falsas circularam amplamente no caso de Orelha, causando sérios prejuízos:

  • Um dono de hotel em Santa Catarina e um rapaz do interior de São Paulo foram vítimas de linchamentos virtuais por terem o mesmo sobrenome de um dos suspeitos, sem qualquer vínculo de parentesco.
  • Informações incorretas sobre a morte de Orelha também foram disseminadas, incluindo a alegação de que ele teria sido espancado até a morte. Na realidade, o cãozinho foi agredido na madrugada do dia 4, na região da cabeça, e passou o dia agonizando, vindo a falecer na manhã do dia 5 de janeiro.

A repercussão desse caso, que mistura violência animal e desinformação, foi tema de uma reportagem na edição nº 2981 da revista VEJA, destacando os perigos das fake news em situações sensíveis. Com o retorno das investigações à Polícia Civil, espera-se que novas diligências possam esclarecer completamente os fatos e evitar futuros danos causados por informações falsas.