É #FAKE que show de Bad Bunny no Super Bowl teve participação de Liam Ramos, menino detido pelo ICE
Circula nas redes sociais uma informação falsa que tem ganhado destaque entre os fãs de música e entusiastas do esporte. Publicações no X, antigo Twitter, alegam que o cantor porto-riquenho Bad Bunny recebeu no palco do Super Bowl o menino equatoriano Liam Ramos, de apenas cinco anos, que foi detido recentemente pelo ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos. No entanto, essa alegação é completamente falsa e já foi desmentida por fontes oficiais e pela própria equipe do artista.
Como surgiu a publicação falsa?
Os posts enganosos começaram a circular no domingo, 8 de fevereiro, data da 60ª edição do Super Bowl, um dos eventos esportivos mais assistidos da televisão norte-americana. As publicações sugeriam que o garotinho que apareceu no palco durante a apresentação de Bad Bunny era Liam Ramos, que teria recebido um Grammy das mãos do cantor em um momento simbólico do show. Uma das mensagens virais afirmava, em inglês: "Muitos de vocês podem não ter percebido, mas o garotinho a quem Bad Bunny entregou o prêmio Grammy no Super Bowl era Liam Ramos! Incrível!".
Liam Conejo Ramos e seu pai, Adrian Conejo Arias, foram realmente detidos em 20 de janeiro por agentes do ICE em Minneapolis, quando o menino voltava da escola. Esse caso real de imigração parece ter sido aproveitado para criar uma narrativa falsa e emocionalmente carregada, misturando-se ao contexto político do show de Bad Bunny.
Por que a informação é falsa?
A verdade é que o garoto que participou do show do Super Bowl ao lado de Bad Bunny é o ator mirim Lincoln Fox, também de cinco anos. Lincoln Fox publicou em seu perfil do Instagram um vídeo de sua participação no evento, escrevendo na legenda: "Vou me lembrar deste dia para sempre! @badbunnypr - foi a minha maior honra". Além disso, na descrição de sua conta, ele se apresenta como "1/2 argentino, 1/2 egípcio", enquanto Liam Ramos é equatoriano, o que já demonstra uma clara diferença entre as identidades.
O Fato ou Fake, equipe de checagem de fatos, encontrou reportagens de veículos de imprensa americanos que também esclareceram os posts enganosos. Um assessor de Bad Bunny desmentiu formalmente a alegação à rádio americana National Public Radio, confirmando que não houve qualquer participação de Liam Ramos no espetáculo.
O contexto político por trás da fake news
Bad Bunny é conhecido por sua forte posição política em defesa da América Latina e por críticas contundentes às políticas anti-imigração do governo do ex-presidente Donald Trump. No último domingo, 1° de fevereiro, o artista porto-riquenho levou três prêmios do Grammy, incluindo o de álbum do ano, e usou seu discurso para criticar o ICE. Quando seu nome foi anunciado como atração do Super Bowl, Trump chegou a classificar a decisão como "ridícula" e afirmou que nunca havia ouvido falar do cantor.
Na noite do Super Bowl, Trump voltou a comentar a apresentação de Bad Bunny em suas redes sociais, sem citar o nome do artista, dizendo que o show foi "absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos". Antes do evento, um assessor da Casa Branca chegou a ameaçar o envio de agentes federais de imigração para o estádio na Califórnia, algo que nunca aconteceu na história dos Estados Unidos, mas que foi interpretado como uma tentativa de intimidação ao enorme público latino de Bad Bunny.
Essa atmosfera política parece ter alimentado a criação e a disseminação da fake news, aproveitando-se da comoção em torno do caso de Liam Ramos para gerar engajamento e confusão entre os usuários das redes sociais.
A importância de checar informações
Em um cenário de rápida disseminação de notícias falsas, é fundamental verificar a veracidade das informações antes de compartilhá-las. Neste caso, a confusão entre Lincoln Fox e Liam Ramos demonstra como detalhes simples podem ser distorcidos para criar narrativas enganosas. A equipe do Fato ou Fake continua a trabalhar para desmentir alegações falsas e promover um consumo mais crítico de notícias, especialmente em temas sensíveis como imigração e política.
Portanto, é essencial lembrar que, apesar do impacto emocional do caso de Liam Ramos, sua história não se conecta ao show de Bad Bunny no Super Bowl. A participação no palco foi, de fato, uma homenagem ao talento do ator mirim Lincoln Fox, e não um ato político envolvendo o menino equatoriano detido pelo ICE.