A Polícia Federal (PF) está ampliando as investigações sobre o senador Ciro Nogueira, suspeito de atuar como despachante de negócios no Senado para o banqueiro Daniel Vorcaro. Os investigadores agora buscam identificar se o parlamentar bolsonarista mantinha relações semelhantes com outros empresários, especialmente do setor de apostas online e de administradoras de fundos de investimento.
Novas frentes de investigação
A partir das buscas realizadas nesta quinta-feira, a PF tenta mapear as conexões de Nogueira com o ecossistema de apostas virtuais e possíveis esquemas de lavagem de dinheiro que podem ter movimentado bilhões de reais. A suspeita é que o senador utilizava sua influência política para intermediar interesses empresariais em troca de vantagens indevidas.
Histórico de relações empresariais
As ligações de Ciro Nogueira com empresários de diversos setores são conhecidas. Na operação Lava-Jato, o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, apontado como coordenador do chamado Clube do Bilhão na Petrobras, admitiu ter repassado ao senador pelo menos 2 milhões de reais. Os valores teriam sido entregues em espécie ou por meio de contratos fictícios de serviços.
Nogueira também foi citado como beneficiário de propina paga pelo grupo J&F, que confessou em acordo judicial a compra de apoio político, com repasses estimados em pelo menos 2,8 milhões de reais. Já a Odebrecht utilizava os codinomes “Cerrado” e “Helicóptero” para identificar o senador em sua contabilidade paralela de propinas destinadas a políticos em troca de apoio parlamentar. Delatores afirmaram que Nogueira solicitava repasses para campanhas eleitorais e para seu partido.
Transição política e continuidade
Nos casos anteriores, segundo os investigadores, o senador recebia recursos ilícitos por meio de suas relações com governos do PT. Ele conseguiu migrar para o bolsonarismo, tornando-se um dos principais ministros de Jair Bolsonaro, e, conforme as apurações, manteve o mesmo modus operandi com empresários como Daniel Vorcaro.
Apesar dos documentos fornecidos por delatores, as investigações contra Nogueira na Lava-Jato e em outros casos foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O senador sempre negou qualquer envolvimento em irregularidades.



