Índice de Corrupção Mundial Aponta Deterioração em Democracias Ocidentais
O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025, divulgado nesta terça-feira, 10 de fevereiro, pela Transparência Internacional, revela um cenário alarmante de deterioração institucional que atinge não apenas regimes autoritários, mas também democracias historicamente associadas à boa governança. O levantamento avaliou 182 países e territórios, com apenas 31 melhorando suas notas, enquanto 50 registraram pioras, indicando um quadro geral de estagnação ou retrocesso na luta contra a corrupção.
Declínio das Democracias Ocidentais
Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Suécia estão entre as nações que sofreram baixas significativas em suas pontuações. Os Estados Unidos alcançaram sua pior marca histórica, com 64 pontos, caindo para a 29ª posição no ranking. Segundo a Transparência Internacional, esse resultado reflete um ambiente político marcado por:
- Politização das instituições
- Ataques recorrentes a jornalistas e organizações da sociedade civil
- Decisões que fragilizam a independência do Judiciário
O relatório aponta que parte desses retrocessos se intensificou no início do segundo mandato de Donald Trump, com práticas que normalizam conflitos de interesse e enviam um sinal perigoso de tolerância à corrupção.
Reino Unido e Outras Democracias em Queda
O Reino Unido segue uma trajetória similar, perdendo posições no ranking desde 2015 e caindo para o 20º lugar em 2025, com 70 pontos. A Transparência Internacional atribui o recuo a:
- Sucessivos escândalos ligados ao financiamento político
- Lobby pouco transparente
- Nomeação de aliados e grandes doadores para cargos estratégicos
Outras democracias ocidentais também registraram quedas preocupantes na última década:
- Nova Zelândia: caiu nove pontos para 81
- Suécia: perdeu oito pontos, chegando a 80
- Canadá: recuou sete pontos para 75
- França: perdeu quatro pontos na última década, chegando a 66
Brasil Repete Pior Colocação Histórica
Nesse cenário global desfavorável, o Brasil permaneceu estagnado, repetindo sua pior colocação histórica: 107º lugar, com apenas 35 pontos, bem abaixo da média global de 42. A Transparência Internacional aponta:
- Fragilidade institucional persistente
- Falta de avanços estruturais no combate à corrupção
- Variação de apenas um ponto em relação a 2024, considerada estatisticamente irrelevante
Apesar de iniciativas pontuais para conter ataques à democracia, o país não conseguiu melhorar sua posição no ranking, refletindo desafios profundos na governança.
Extremos do Ranking e Pontos Positivos
No topo do ranking, a Dinamarca manteve a liderança pelo oitavo ano consecutivo, com 89 pontos, seguida por Finlândia, Singapura, Nova Zelândia, Noruega, Suécia e Suíça. No entanto, o relatório chama atenção para a redução no número de países com pontuação acima de 80, parâmetro associado a altos padrões de integridade pública.
Na outra extremidade, o Sudão do Sul aparece na última colocação, empatado com a Somália, atrás de países como Venezuela, Iêmen e Líbia, onde a corrupção é descrita como sistêmica em praticamente todos os níveis.
Apesar do cenário predominantemente negativo, o relatório identifica alguns avanços pontuais:
- Ucrânia: elogiada pela consolidação de sua estrutura anticorrupção mesmo em meio à guerra
- Albânia, Angola, Costa do Marfim: países que saíram da parte inferior para o centro do ranking
- Estônia, Coreia do Sul, Butão e Seychelles: nações que registraram ganhos consistentes
O relatório da Transparência Internacional serve como um alerta global sobre a necessidade de fortalecer instituições e promover transparência, especialmente em democracias que enfrentam desafios crescentes na manutenção de padrões éticos de governança.