Zelensky revela 55 mil mortos na guerra, mas análise independente estima 600 mil baixas ucranianas
Zelensky revela mortos na guerra; análise estima 600 mil baixas

Zelensky revela número de soldos ucranianos mortos após mais de um ano de silêncio

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, rompeu um período de mais de um ano sem divulgar dados oficiais sobre baixas militares ao anunciar que 55 mil soldados ucranianos perderam a vida no conflito contra a Rússia. A declaração foi feita em entrevista à emissora France 2 na quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, às vésperas do quarto aniversário da invasão russa em larga escala, que completa quatro anos no final deste mês.

Dados oficiais versus estimativas independentes

Embora Zelensky tenha apresentado o número de 55 mil mortos, uma análise independente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington, publicada em 27 de janeiro, estima que as baixas ucranianas sejam significativamente maiores. Segundo o relatório, a Ucrânia teria perdido aproximadamente 600 mil soldados, enquanto a Rússia teria sofrido 1,2 milhão de mortes.

O estudo projeta ainda que o montante combinado de soldados mortos, feridos ou desaparecidos de ambos os países deve alcançar 2 milhões até o final de junho deste ano. Esses números contrastam fortemente com as informações divulgadas por Kiev e Moscou, que tradicionalmente relutam em detalhar suas próprias perdas para não afetar o moral das tropas e da população.

Desaparecidos e a angústia das famílias

Zelensky reconheceu que "um grande número de pessoas" está desaparecido, sem fornecer detalhes específicos. Há seis meses, o Ministério do Interior da Ucrânia havia registrado mais de 70 mil desaparecimentos, incluindo soldados e civis, mas a distribuição exata nunca foi divulgada publicamente.

As famílias dos desaparecidos frequentemente se apegam à esperança de que seus entes queridos sejam prisioneiros de guerra mantidos em território russo, uma possibilidade que se torna mais plausível diante das restrições de acesso às prisões russas por organizações como a Cruz Vermelha. A alternativa mais sombria é que muitos corpos permaneçam não recuperados em áreas controladas pela Rússia ou aguardem identificação por meio de testes de DNA.

Negociações de paz em meio a novos ataques

Enquanto os números das baixas são revelados, negociações de paz lideradas pelos Estados Unidos continuam em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. O enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, conduzem conversas trilaterais com delegações da Ucrânia e da Rússia pelo segundo dia consecutivo.

Witkoff descreveu as discussões como "detalhadas e produtivas" em publicação no X (antigo Twitter), mas alertou que "ainda há muito trabalho a ser feito". Um acordo para troca de prisioneiros foi celebrado como um avanço tangível, porém os impasses principais permanecem:

  • Rússia exige a retirada das tropas ucranianas de toda a região de Donetsk, incluindo cidades fortificadas que são pontos-chave da defesa ucraniana.
  • Ucrânia defende o congelamento do conflito nas linhas de frente atuais e rejeita qualquer retirada unilateral, além de buscar o controle da usina nuclear de Zaporizhzhia, atualmente ocupada pela Rússia.

Contexto de inverno e renovação dos ataques

As negociações ocorrem em um momento delicado, com a Rússia retomando ataques à Ucrânia após uma pausa de uma semana solicitada por Trump ao presidente russo Vladimir Putin devido a uma intensa onda de frio. No inverno polar, com temperaturas chegando a 20 graus negativos, bombardeios ao setor energético ucraniano deixaram milhares de pessoas sem eletricidade e aquecimento.

Zelensky afirmou que as conversas não têm sido fáceis e que sua delegação se manterá "o mais construtiva possível", mas expressou desejo por resultados mais rápidos no processo de paz. A última atualização oficial sobre baixas antes desta havia sido em dezembro de 2024, quando Zelensky estimou 43 mil mortos, número também considerado subestimado na época.