Vice-chefe da inteligência militar russa é baleado em Moscou; FSB acusa Ucrânia e Polônia
O Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia divulgou, nesta segunda-feira (9), que a tentativa de assassinato do tenente-general Vladimir Alekseyev, vice-chefe da inteligência militar, foi ordenada pela Ucrânia com a participação da Polônia. O ataque ocorreu na última sexta-feira (6), em um prédio residencial no norte de Moscou, onde Alekseyev foi atingido por três tiros de uma pistola Makarov equipada com silenciador.
Detenções e extradição do suspeito principal
No domingo (8), o FSB anunciou a detenção do autor e de cúmplices do atentado. O suspeito principal foi identificado como Lyubomir Korba, de 65 anos, cidadão russo nascido na Ucrânia. Ele foi preso nos Emirados Árabes Unidos e, com a cooperação das autoridades locais, foi extraditado para Moscou após fugir para Dubai imediatamente após o ataque.
Além de Korba, duas outras pessoas foram apontadas como cúmplices:
- Viktor Vasin, nascido em 1959, detido em Moscou.
- Zinaida Serebritskaya, nascida em 1971, que fugiu para a Ucrânia.
Estado de saúde do tenente-general e contexto do ataque
Segundo o Comitê Investigativo russo, Vladimir Alekseyev foi hospitalizado e submetido a uma cirurgia. A esposa do general informou a um blogueiro militar russo que ele recuperou a consciência e já consegue falar. O tiroteio aconteceu um dia após negociadores da Rússia, Ucrânia e Estados Unidos concluírem conversas em Abu Dhabi visando encerrar a guerra, que já dura quase quatro anos.
Histórico de atentados contra autoridades russas
Desde o início do conflito na Ucrânia, Moscou tem atribuído a Kiev uma série de assassinatos de oficiais militares e figuras públicas. Alguns casos recentes incluem:
- Em dezembro de 2024, o tenente-general Fanil Sarvarov, chefe da Diretoria de Treinamento Operacional, foi morto por um carro-bomba.
- Em abril de 2024, o tenente-general Yaroslav Moskalik, vice-chefe do departamento operacional do Estado-Maior, foi vítima de um explosivo em seu carro.
- Também em dezembro de 2024, o tenente-general Igor Kirillov, chefe das forças de defesa nuclear, biológica e química, foi morto por uma bomba escondida em um patinete elétrico.
A Ucrânia negou envolvimento no ataque contra Alekseyev, mas assumiu a responsabilidade pelo atentado a Kirillov. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, comentou sobre a "liquidação" de altos militares russos, afirmando que "a justiça inevitavelmente chega", sem citar nomes específicos.
Implicações internacionais e reações
O FSB insiste na acusação de que a Ucrânia e a Polônia coordenaram o atentado, aumentando as tensões diplomáticas na região. Este incidente ocorre em um momento sensível, com tentativas de negociação de paz, e destaca a violência contínua que persiste mesmo fora das zonas de combate direto. As autoridades russas continuam a investigar os vínculos internacionais dos suspeitos, enquanto Kiev mantém sua posição de negação.