Trump ameaça enviar porta-aviões e medidas duras contra Irã em meio a negociações nucleares
Trump ameaça Irã com porta-aviões e medidas duras

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu uma grave ameaça nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, alertando que pode enviar mais um porta-aviões ao Oriente Médio e adotar uma medida "muito dura" contra o Irã. A declaração ocorre em um momento crítico, enquanto Teerã e Washington realizam negociações em Omã sobre um possível acordo de não proliferação de armas nucleares.

Negociações em Omã e otimismo cauteloso

Em entrevista exclusiva ao portal Axios, Trump se disse otimista com as negociações diplomáticas, afirmando acreditar em uma saída pacífica para a crise. No entanto, ele não descartou completamente a possibilidade de uma ação militar, deixando claro que a pressão sobre o Irã permanece alta. "Da última vez, eles não acreditaram que eu faria isso", declarou o republicano, referindo-se aos ataques americanos contra instalações nucleares iranianas em junho do ano passado.

Trump acrescentou: "Ou chegaremos a um acordo ou teremos que fazer algo muito duro como da última vez". Ele também observou que o Irã "deseja muito fechar um acordo", uma postura diferente daquela vista nas reuniões realizadas no primeiro semestre de 2025 entre os dois países.

Encontro diplomático e divergências

Estados Unidos e Irã se reuniram na última sexta-feira, 6 de fevereiro, em Omã, para discutir um possível acordo nuclear. Este encontro marcou o primeiro diálogo diplomático entre Washington e Teerã desde que os americanos se aliaram a Israel durante uma guerra aérea de 12 dias em junho passado contra a nação persa.

As negociações, no entanto, enfrentam obstáculos significativos:

  • Teerã insiste que as discussões se concentrem exclusivamente na questão nuclear.
  • Washington busca abordar uma estrutura bélica mais ampla, incluindo mísseis balísticos e grupos armados regionais.
  • A Casa Branca também manifesta preocupação com possíveis violações dos direitos humanos no Irã.

Apesar das diferenças, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que as negociações foram um "bom começo" e devem continuar. A mídia iraniana relatou que a cúpula terminou com uma "vontade de continuar", sem especificar uma data para o próximo encontro.

Ameaças militares e tensões regionais

Nas últimas semanas, Trump já havia despachado uma "enorme armada" ao Oriente Médio, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, alertando que "coisas ruins" aconteceriam caso um acordo não fosse alcançado. A tensão na região aumentou ainda mais na última terça-feira, 3 de fevereiro, quando o porta-aviões abateu um drone que teria se aproximado de forma "agressiva" da embarcação.

Além disso, o Comando Central das Forças Armadas americanas acusou navios da Guarda Revolucionária Islâmica de "importunarem" um petroleiro de bandeira dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o comércio global de petróleo.

Contexto de crise interna no Irã

A crise entre Estados Unidos e Irã, que se intensificou ao longo do ano passado com a guerra aérea e os ataques americanos, ganhou novos contornos diante da repressão promovida pelo governo iraniano contra protestos internos. As manifestações, que começaram no início do ano motivadas pelo colapso da moeda local, o rial, e pela crise inflacionária, evoluíram para pedidos pelo "fim da ditadura" e a deposição do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

No auge dos protestos, Trump ameaçou intervir militarmente em prol dos manifestantes, chegando a dizer que a ajuda estava "a caminho". As tensões diminuíram um pouco após as autoridades iranianas desistirem de execuções planejadas de manifestantes presos, mas a situação permanece volátil.

Preocupações e perspectivas futuras

Na semana passada, o presidente americano afirmou que navios de guerra estavam sendo enviados "por precaução" e que acompanhava de perto a situação no Irã. "Vamos ver o que acontece", disse Trump, mantendo um tom ambíguo.

De acordo com autoridades iranianas ouvidas pela agência de notícias Reuters, a liderança do Irã está cada vez mais preocupada com a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos quebrar seu controle do poder, potencialmente levando a população enfurecida de volta às ruas. Em Omã, a prioridade imediata parece ser evitar conflitos diretos e reduzir a tensão, mas o caminho para um acordo duradouro permanece incerto.

Enquanto isso, o chefe da agência de energia atômica iraniana, Mohammad Eslami, afirmou na segunda-feira que o país está disposto a "diluir" seu estoque de urânio altamente enriquecido, desde que os Estados Unidos suspendam todas as sanções contra o Irã. Esta proposta pode abrir uma nova frente nas complexas negociações, que continuam a ser monitoradas de perto pela comunidade internacional.