Ministro de Taiwan alerta sobre risco de anestesia psicológica devido a exercícios militares chineses
O ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo Li-hsiung, emitiu um alerta contundente nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, sobre os perigos representados pela repetição constante de exercícios militares realizados pela China ao redor da ilha. Segundo suas declarações à agência estatal CNA, essa prática pode anestesiar a percepção de risco da população taiwanesa, mesmo diante de uma ameaça que ele classifica como imediata e concreta.
Estratégia chinesa de "guerra cognitiva" e aumento de incursões
Koo detalhou que Pequim tem intensificado as chamadas "patrulhas de aplicação da lei" nas ilhas periféricas e nas proximidades da linha média do Estreito de Taiwan. Essa movimentação busca, segundo o ministro, criar uma falsa impressão de que a região integra águas territoriais chinesas, em uma clara tentativa de normalizar sua presença militar.
Além disso, a pressão exercida pela China não se limita ao plano militar. Autoridades chinesas também recorrem a ciberataques e intrusões digitais, combinando instrumentos políticos, econômicos, militares e psicológicos para conduzir uma estratégia de "guerra cognitiva" contra Taiwan.
"A repetição constante dessas ações nos preocupa porque pode adormecer as defesas psicológicas da sociedade. Na prática, a ameaça do adversário é urgente e real", afirmou Koo em entrevista.
Dados oficiais revelam avanço significativo das incursões chinesas
Estatísticas oficiais apresentadas pelo ministro indicam um aumento expressivo nas incursões chinesas no espaço aéreo e marítimo de Taiwan. Em 2025, aeronaves principais e de apoio do Exército chinês cruzaram a linha média do Estreito de Taiwan e ingressaram na Zona de Identificação de Defesa Aérea taiwanesa em 3.764 ocasiões. Esse número representa um crescimento de aproximadamente 23% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 3.066 ocorrências.
No mesmo período, navios de guerra chineses entraram na área em 2.640 oportunidades, frente a 2.475 em 2024, o que corresponde a um aumento de cerca de 7%. Esses dados reforçam a preocupação de Taiwan com a escalada militar na região.
Capacidade produtiva e acordos de defesa com os Estados Unidos
Wellington Koo também destacou que a capacidade produtiva vinculada às compras de armamentos dos Estados Unidos vem se recuperando gradualmente. Washington, segundo ele, passou a conceder a Taipé o mesmo tratamento dado aos países do chamado NATO Plus, um grupo que reúne os principais aliados dos EUA fora da Aliança Atlântica, como Japão, Austrália, Coreia do Sul, Israel e Nova Zelândia.
Essa mudança deve acelerar procedimentos administrativos e reduzir prazos de notificação ao Congresso norte-americano, facilitando a aquisição de equipamentos militares. Caso o orçamento geral do governo seja aprovado sem entraves, o ministro afirmou que os tanques M1A2T poderão ser entregues integralmente ainda em 2026.
Sistemas HIMARS, mísseis Harpoon, munições Switchblade 300 e drones Altius 600 e MQ-9B devem chegar em lotes ao longo do exercício, fortalecendo a defesa taiwanesa.
Contexto geopolítico e orçamento de defesa
As declarações do ministro ocorrem apenas dois dias após uma conversa telefônica entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. Na ocasião, Xi advertiu Trump a tratar com "máxima prudência" a venda de armas à ilha autogovernada, evidenciando as tensões diplomáticas envolvendo Taiwan.
No fim de 2025, Taipé anunciou um orçamento especial de Defesa de 1,25 trilhão de dólares taiwaneses, equivalente a cerca de 33,4 bilhões de euros, para o período de 2026 a 2033. Esse montante está destinado principalmente à aquisição de equipamentos militares dos Estados Unidos.
No entanto, a proposta segue bloqueada no Parlamento pelos partidos de oposição Kuomintang e Partido Popular de Taiwan, que detêm uma maioria estreita de cadeiras, criando um impasse político interno.