Passagem de Rafah reabre de forma limitada após quase dois anos de fechamento
A passagem de Rafah, principal rota de entrada e saída da Faixa de Gaza, foi reaberta de forma limitada nesta semana, após permanecer fechada por quase dois anos. No entanto, a reabertura foi marcada por violência e interrupções, com Israel suspendendo a travessia de pacientes palestinos para tratamento médico no Egito.
Ataques israelenses resultam em mortes e interrupção de passagem
Nesta quarta-feira, ataques aéreos e bombardeios de tanques israelenses mataram 18 pessoas em Gaza, incluindo quatro crianças, segundo autoridades palestinas. Os ataques atingiram a Cidade de Gaza e Khan Younis, no sul do território. O Exército israelense afirmou que as ações foram uma resposta a um atirador que abriu fogo contra soldados, ferindo gravemente um reservista.
Paralelamente, Israel interrompeu a passagem de pacientes pela fronteira de Rafah, apenas dois dias após sua reabertura. Um responsável de saúde de Gaza relatou à Reuters que a medida afetou palestinos que aguardavam para cruzar para o Egito, onde buscavam tratamento médico. Raja’a Abu Teir, uma paciente prevista para evacuação, disse no hospital de Khan Younis: “Eles ligaram para os pacientes e disseram que hoje não haverá viagem alguma, a passagem está fechada.”
Discrepâncias sobre o status da passagem de Rafah
Enquanto autoridades palestinas e organizações humanitárias relataram o fechamento, a agência israelense COGAT, que controla o acesso a Gaza, emitiu um comunicado afirmando que a passagem de Rafah permanecia aberta. No entanto, a COGAT alegou que não recebeu os detalhes de coordenação necessários da Organização Mundial da Saúde (OMS) para viabilizar a travessia de pacientes. A OMS não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters sobre o assunto.
A reabertura limitada permitiu que um pequeno número de palestinos atravessasse pela primeira vez em meses. Na terça-feira, 16 pacientes de Gaza e 40 acompanhantes cruzaram para o Egito, conforme relatos de médicos locais. Além disso, uma fonte da polícia do Hamas informou que pelo menos 40 pessoas atravessaram do Egito para Gaza no fim da noite de terça-feira.
Contexto do cessar-fogo e violência contínua
A reabertura da passagem de Rafah é uma das exigências do cessar-fogo de outubro, que estabeleceu a primeira fase do plano do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interromper os combates entre Israel e militantes palestinos do Hamas. Em janeiro, Trump declarou o início da segunda fase, focada em negociações sobre o futuro governo e a reconstrução de Gaza.
No entanto, questões críticas permanecem sem solução, incluindo a retirada das forças israelenses de mais de 50% de Gaza que ocupam atualmente e o desarmamento do Hamas. O frágil cessar-fogo tem sido marcado por violência quase diária. Desde seu início, o fogo israelense matou pelo menos 530 pessoas, a maioria civis, segundo autoridades de saúde de Gaza. Militantes palestinos mataram quatro soldados israelenses no mesmo período.
A ofensiva israelense, que já dura dois anos na Faixa de Gaza, resultou em mais de 71 mil mortes palestinas, deslocou a maior parte da população e deixou grande parte do território em ruínas. O conflito foi desencadeado pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas em Israel, conforme contagens israelenses.
Este cenário evidencia os desafios persistentes na busca por paz e estabilidade na região, com a passagem de Rafah servindo como um símbolo das tensões e das dificuldades humanitárias enfrentadas pela população de Gaza.