Putin e Xi Jinping conversam por 1h30; EUA ameaçam ação militar no Hemisfério Ocidental
Putin e Xi conversam; EUA ameaçam ação militar no continente

Diálogo entre Putin e Xi Jinping reforça aliança em meio a tensões geopolíticas

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, mantiveram uma conversa telefônica de quase uma hora e meia nesta quarta-feira (4), aprofundando a coordenação estratégica entre as duas potências. Este contato ocorre em um contexto de crescentes desafios internacionais, com os Estados Unidos adotando uma postura mais assertiva em sua política externa.

China busca fortalecer cooperação com Rússia para enfrentar riscos

O Ministério da Defesa chinês anunciou, nesta terça-feira (27), que a China pretende aumentar a coordenação estratégica com a Rússia para melhorar sua capacidade de responder a vários riscos e desafios. Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, as negociações já haviam começado em uma conversa telefônica anterior entre os ministros da Defesa dos dois países.

Durante uma videoconferência, o ministro chinês Dong Jun afirmou ao russo Andrei Belousov: A China está disposta a trabalhar com a Rússia para implementar seriamente o importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado: fortalecer a coordenação estratégica, enriquecer a substância da cooperação e aprimorar os mecanismos de intercâmbio.

O ministro russo, por sua vez, destacou à agência estatal russa que os exemplos da Venezuela e do Irã exigem que ambos os países analisem constantemente a situação de segurança.

Nova estratégia de defesa dos EUA ameaça ação militar no Hemisfério Ocidental

As declarações ocorrem um dia após o governo Trump divulgar sua nova Estratégia Nacional de Defesa. O documento, publicado pelo Ministério da Guerra dos EUA nesta segunda-feira (26), estabelece como objetivo assegurar aos Estados Unidos plena dominância militar e comercial do Ártico à América do Sul.

O governo Trump ameaçou empregar força militar contra países vizinhos que não ajudarem a combater o narcotráfico e a influência da Rússia e da China no Hemisfério Ocidental. A estratégia menciona explicitamente a operação militar em Caracas que depôs o ditador venezuelano Nicolás Maduro como um exemplo de ações que o Exército norte-americano pode realizar no futuro.

O documento afirma: Garantiremos, de forma ativa e destemida os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental. Atuaremos de boa-fé com nossos vizinhos, do Canadá aos parceiros na América Central e do Sul, mas asseguraremos que respeitem e façam a sua parte na defesa de nossos interesses compartilhados. E, quando isso não ocorrer, estaremos prontos para adotar ações focadas e decisivas que promovam os interesses dos EUA.

China amplia laços com líderes ocidentais em resposta a pressões

Em meio ao aumento das tensões devido às ameaças dos Estados Unidos, o governo chinês está tentando estreitar relações com vários líderes ocidentais. Após receber o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e o presidente da França, Emmanuel Macron, o presidente Xi Jinping encontrou-se com o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, no Grande Salão do Povo em Pequim.

Xi declarou a Orpo que a China está disposta a trabalhar com a Finlândia para defender firmemente o sistema internacional que tem as Nações Unidas no centro, em uma clara referência à proposta do Conselho da Paz elaborada por Donald Trump, que gera preocupações sobre uma possível rivalidade com a ONU.

Além disso, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, viajará à China na noite desta terça, marcando a primeira visita de um líder britânico ao país em oito anos. Especialistas apontam que a intenção é estreitar laços com a segunda maior economia do mundo e reduzir a dependência de um Estados Unidos cada vez mais imprevisível.

Detalhes da estratégia de defesa norte-americana

A nova Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, que serve como guia para políticas e mobilizações militares planejadas para os próximos anos, inclui os seguintes pontos principais:

  • Deter a China por meio da força e contenção, sem buscar confronto direto, enquanto busca uma paz estável, comércio justo e relações respeitosas.
  • Delegar a Rússia e a Coreia do Norte, identificadas como ameaças globais, para aliados como a Otan, Coreia do Sul e Japão cuidarem.
  • Tratar o narcoterrorismo como alvo militar, reservando o direito de ataques diretos contra organizações narcoterroristas em qualquer lugar das Américas.
  • Obrigar Canadá e México a ajudar a fechar as fronteiras dos EUA para imigrantes ilegais e narcoterroristas.
  • Aumentar a responsabilidade dos aliados no fardo da segurança compartilhada.
  • Garantir o acesso militar e comercial em áreas estratégicas como o Ártico, Golfo das Américas e Canal do Panamá.

O governo Trump também enfatiza a modernização de suas forças nucleares e a retomada da indústria militar norte-americana, buscando a paz por meio da força a partir de suas fronteiras.

Cooperação China-Dinamarca em meio a tensões com EUA

Paralelamente, o governo chinês renovou um acordo de cooperação em construção naval com a Dinamarca, país que vive um momento tenso com os Estados Unidos devido à Groenlândia. Os dois países realizarão pesquisas para desenvolver tecnologias de navios movidos a combustíveis de baixo ou zero carbono e explorar o potencial de cooperação no setor de veículos de novas energias, conforme anunciado pelo ministro da Indústria chinês, Li Lecheng.

Este movimento reflete os esforços contínuos da China para diversificar suas parcerias e fortalecer sua posição em um cenário global cada vez mais polarizado, onde as rivalidades entre grandes potências definem os rumos da política internacional.