Irã: Protestos contra Khamenei marcam véspera da Revolução Islâmica
Protestos no Irã contra Khamenei em véspera de data histórica

Irã: Protestos contra Khamenei marcam véspera da Revolução Islâmica

Na noite desta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, moradores do Irã protagonizaram um ato de desafio ao regime, entoando palavras de ordem contra autoridades iranianas e, em especial, contra o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Este episódio ocorreu na véspera da principal comemoração anual da Revolução Islâmica de 1979, um momento historicamente carregado de simbolismo para a nação.

Manifestações nas varandas de Teerã

Imagens amplamente divulgadas nas redes sociais capturaram cenas em que residentes de Teerã, a capital iraniana, foram às varandas de suas casas e gritaram slogans contundentes. Entre as frases mais repetidas, destacaram-se "Morte a Khamenei", "Morte ao ditador" e "Morte à República Islâmica". Os vídeos dessas manifestações circularam rapidamente em canais de monitoramento populares, incluindo o Telegram, o X (antigo Twitter), o Vahid Online e o Memlekate.

É importante ressaltar que a agência de notícias AFP afirmou não ter conseguido verificar a autenticidade dessas imagens, o que sublinha a complexidade e a opacidade que muitas vezes envolvem a cobertura de eventos no Irã. Ainda assim, os relatos são consistentes com um padrão de insatisfação que tem se manifestado publicamente.

Contexto histórico e repressão

Os gritos de protesto ecoaram enquanto autoridades iranianas lançavam fogos de artifício para marcar a véspera do 22 Bahman no calendário iraniano, que corresponde ao dia 11 de fevereiro de 1979. Esta data é fundamental na história do país, pois marca a queda do último xá e a ascensão ao poder do aiatolá Ruhollah Khomeini, antecessor direto de Ali Khamenei.

Os protestos recentes no Irã, que começaram como manifestações motivadas pela crise econômica, evoluíram para um movimento mais amplo de contestação política. Ativistas e observadores internacionais têm denunciado uma repressão sem precedentes por parte das forças de segurança, que agiram para conter as mobilizações.

Segundo dados do grupo Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, mais de 6.900 pessoas morreram durante os protestos, incluindo 6.490 manifestantes. Além disso, foram registradas mais de 52.600 prisões, números que ilustram a severidade da resposta governamental.

Desafio ao regime e cenário atual

Este movimento de protesto é considerado um dos maiores desafios enfrentados pelo regime iraniano desde a própria revolução de 1979. Nas duas últimas semanas, houve poucos relatos de novas manifestações, mas o episódio desta terça-feira demonstra que a insatisfação permanece latente e pode emergir em momentos simbolicamente significativos.

O Irã tem registrado uma série de protestos ao longo do último mês, todos reprimidos com vigor pelas forças de segurança. A combinação de fatores econômicos, políticos e sociais tem alimentado um ciclo de tensão que parece longe de se resolver, colocando em xeque a estabilidade do governo liderado por Khamenei.

Enquanto o país se prepara para celebrar mais um aniversário da Revolução Islâmica, as vozes das ruas e varandas de Teerã lembram que, para muitos iranianos, a promessa da revolução ainda está por ser cumprida, e o descontentamento continua a moldar o panorama político nacional.