Otan planeja lançar missão 'Sentinela do Ártico' para reforçar presença militar na região
Otan lança missão 'Sentinela do Ártico' após tensões com Trump

Otan prepara missão 'Sentinela do Ártico' para fortalecer presença no Ártico

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) está prestes a lançar uma nova missão estratégica denominada 'Sentinela do Ártico', com o objetivo de reforçar suas capacidades militares e de vigilância na região do Ártico. De acordo com informações exclusivas da agência de notícias Reuters, cinco autoridades confirmaram que o anúncio pode ocorrer já nesta semana, durante uma reunião em Bruxelas entre os ministros da Defesa dos países-membros da aliança, marcada para quinta-feira (12).

Detalhes da missão e contexto geopolítico

A missão 'Sentinela do Ártico' envolverá uma série de medidas para aumentar a presença da Otan no Extremo Norte, incluindo:

  • Exercícios militares regulares na região.
  • Intensificação da vigilância por meio de embarcações e meios aéreos, como drones.
  • Otimização dos recursos já existentes da aliança, em vez de enviar grandes contingentes de novas forças.

Um funcionário da Otan explicou à Reuters que a iniciativa faz parte dos esforços para "reforçar ainda mais nossa dissuasão e defesa na região, particularmente à luz da atividade militar da Rússia e do crescente interesse da China no Extremo Norte". A missão deve entrar em operação em breve, segundo fontes oficiais.

Tensões com Trump e a crise da Groenlândia

O lançamento da missão ocorre em um momento de tensões significativas entre os Estados Unidos e a Europa, após o presidente norte-americano, Donald Trump, expressar interesse em anexar a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. Trump não descartou o uso de força militar para isso, o que gerou uma crise diplomática e ameaçou a coesão da própria Otan, já que um ataque de um país-membro contra outro poderia efetivamente acabar com a aliança.

Na semana passada, a Otan informou que havia iniciado o planejamento da missão após conversas em Davos entre Trump e o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, que aliviaram parte das tensões. No entanto, autoridades afirmam que nenhuma decisão final foi tomada, e planejadores militares ainda estão trabalhando em diferentes opções.

Desenvolvimentos recentes e próximos passos

O Comandante Supremo das Forças Aliadas da Otan, general da Força Aérea dos EUA Alexus Grynkewich, declarou nesta segunda-feira que o planejamento está em "estágios finais". Ele receberá nesta terça-feira (10) um relatório sobre o planejamento da missão do Comando Conjunto de Forças da Otan e, se o briefing for bem-sucedido, um anúncio oficial pode ser feito ainda esta semana.

Essa movimentação da Otan reflete uma estratégia de resposta às mudanças no cenário geopolítico do Ártico, onde a competição por recursos e influência tem se intensificado. A região, antes vista como remota, tornou-se um ponto focal para disputas internacionais, com a Rússia expandindo sua presença militar e a China aumentando seus investimentos em projetos de infraestrutura.

Enquanto isso, a situação na Groenlândia continua a ser um fator de instabilidade, com a Dinamarca e outros países europeus monitorando de perto as ações dos EUA. A missão 'Sentinela do Ártico' pode, portanto, servir como um mecanismo para estabilizar a região e reafirmar o compromisso da Otan com a segurança coletiva, mesmo diante de desafios internos e externos.