Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado devido a minas navais iranianas
O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, revelou que o Irã não possui condições técnicas para reabrir completamente o Estreito de Ormuz ao tráfego naval internacional. Segundo autoridades norte-americanas, as autoridades iranianas simplesmente não sabem onde estão localizadas todas as minas navais que foram instaladas na região durante o conflito recente.
A informação, inicialmente divulgada pelo prestigiado jornal The New York Times na última sexta-feira (10), expõe uma das principais razões para a persistente interdição dessa rota marítima vital. A demora iraniana em normalizar a passagem tem gerado forte irritação na Casa Branca, uma vez que o estreito é um corredor essencial para o comércio global de petróleo e gás natural.
Acordo de cessar-fogo e a não reabertura
A retomada segura do fluxo marítimo foi uma das condições fundamentais estabelecidas no acordo de cessar-fogo firmado na última terça-feira (7). No entanto, na prática, o compromisso não foi cumprido. O presidente Donald Trump manifestou seu descontentamento publicamente na quinta-feira (9), através de uma publicação na rede social Truth Social, onde acusou o Irã de realizar um "trabalho muito ruim e desonroso" na gestão do Estreito de Ormuz.
Em contrapartida, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, afirmou que a passagem está tecnicamente aberta, mas sujeita a severas restrições. As autoridades iranianas alertaram repetidamente para os riscos representados pelas minas navais na área e declararam que a Guarda Revolucionária está coordenando o tráfego. A realidade, porém, é bem diferente: apenas um punhado de embarcações tem recebido autorização para realizar a travessia.
Queda drástica no tráfego e nova rota proposta
Dados concretos de rastreamento de navios, divulgados pela agência Reuters, ilustram a gravidade da situação. Nesta quinta-feira, apenas seis navios conseguiram passar pelo estreito, um número drasticamente inferior à média histórica de aproximadamente 140 embarcações por dia. Essa redução de mais de 95% no volume de tráfego tem impactos diretos na economia global, considerando que por Ormuz transita cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no planeta.
Diante do perigo, a Guarda Revolucionária do Irã está a orientar as embarcações a navegarem por uma rota alternativa, utilizando as águas territoriais iranianas ao redor da Ilha de Larak. A nova diretriz, divulgada pela agência de notícias Tasnim, determina que os navios devem entrar no estreito ao norte da ilha e sair ao sul dela, sempre em coordenação com a Marinha da Guarda Revolucionária, numa tentativa de evitar as rotas habituais agora consideradas perigosas.
Risco persistente e poderio das minas navais
A empresa britânica de segurança marítima Ambrey emitiu um comunicado alertando para um "risco contínuo e real" para qualquer trânsito não autorizado pelo Estreito de Ormuz. O alerta é especialmente direcionado a embarcações vinculadas a Israel e aos Estados Unidos. A empresa ainda destacou que, mesmo navios com aparente autorização têm sido impedidos de passar nas últimas semanas.
As minas navais em questão são explosivos submersos ou à deriva que podem ser acionados automaticamente por contato físico ou através de sensores que detectam a passagem de uma embarcação. Estima-se que o governo iraniano possua um estoque entre 2 mil e 6 mil desses artefatos. Especialistas do Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, ponderam que, embora uma única mina dificilmente afundaria um grande petroleiro, os danos causados poderiam ser significativos e provocar um desastre ambiental de grandes proporções.
O episódio recente de fechamento na quarta-feira (8), em retaliação a bombardeios israelenses no Líbano – que Teerã alega violarem o cessar-fogo –, somado à intenção iraniana de cobrar pedágio pela passagem para cobrir custos da guerra, demonstram como o controle estratégico do Estreito de Ormuz continua sendo uma peça central no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, com repercussões diretas para a segurança energética mundial.



