Negociações entre Irã e EUA terminam sem acordo após maratona tensa em Islamabad
Irã e EUA encerram negociações sem acordo em Islamabad

Negociações entre Irã e EUA terminam sem acordo após maratona tensa em Islamabad

Depois de uma noite sem dormir e momentos de intensa tensão no Paquistão, as autoridades do Irã e dos Estados Unidos encerraram as conversas de mais alto nível entre os dois países em décadas sem alcançar um acordo concreto. Apesar disso, onze fontes familiarizadas com as negociações afirmaram à agência Reuters que o diálogo permanece aberto, indicando que ainda há espaço para futuras discussões.

Ambiente de negociação no Serena Hotel

As conversas ocorreram dentro do luxuoso Serena Hotel, na capital Islamabad, onde a equipe operacional dividiu as negociações em três espaços distintos: uma ala para a delegação dos Estados Unidos, outra para os iranianos e uma área destinada às reuniões trilaterais com mediadores paquistaneses. Entre os principais temas discutidos estavam o Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais impostas a Teerã, com os Estados Unidos prometendo trabalhar pela reabertura da passagem marítima.

Telefones não foram permitidos na sala principal, o que obrigou autoridades como o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, a saírem durante os intervalos para transmitir mensagens a seus governos, conforme relataram duas fontes. "Havia uma grande esperança no meio das negociações de que haveria um avanço e os dois lados chegariam a um acordo. No entanto, as coisas mudaram em pouco tempo", disse uma fonte do governo paquistanês.

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Altos e baixos nas discussões

Outra pessoa envolvida nas negociações afirmou que as partes chegaram "muito perto" de um entendimento e estavam "80% lá", antes de esbarrarem em decisões que não puderam ser resolvidas no local. Duas fontes iranianas descreveram o ambiente inicial como pesado e hostil, e, apesar das tentativas do Paquistão de reduzir a tensão, nenhum dos lados demonstrou disposição para aliviar posições. A atmosfera começou a melhorar no início da manhã de domingo, quando surgiu a possibilidade de estender as negociações por mais um dia.

Em Islamabad, adversários históricos se reuniram para tentar traçar um caminho para um acordo de longo prazo, após um cessar-fogo mediado pelo Paquistão interromper seis semanas de guerra que deixaram milhares de mortos e afetaram o abastecimento energético global. No centro da disputa está a suspeita de países ocidentais e de Israel de que o Irã busca desenvolver uma arma nuclear, acusação negada por Teerã.

Demandas de ambos os lados

Uma autoridade da Casa Branca afirmou que Washington exige: o fim total do enriquecimento de urânio; o desmantelamento das principais instalações nucleares; a entrega do material altamente enriquecido; a aceitação de um acordo de paz mais amplo; a criação de uma estrutura regional de segurança; o fim do financiamento de grupos armados aliados ao regime iraniano; e a reabertura completa do Estreito de Ormuz sem cobrança de pedágio.

Já o Irã, segundo uma autoridade iraniana, apresentou demandas que incluem: um cessar-fogo permanente e garantias contra novos ataques; suspensão das sanções primárias e secundárias; desbloqueio de ativos financeiros; reconhecimento do direito ao enriquecimento nuclear; e manutenção do controle sobre Ormuz. Quatro fontes disseram à Reuters que, em determinados momentos, o diálogo parecia próximo de resultar ao menos em um esqueleto de acordo, mas as negociações travaram diante de divergências sobre o programa nuclear, Ormuz e o volume de ativos iranianos congelados.

Desconfiança e obstáculos

As negociações duraram mais de 20 horas, com funcionários do hotel permanecendo no local durante todo o período. Quando as discussões chegaram às garantias de não agressão e ao alívio de sanções, o tom do chanceler iraniano Abbas Araqchi, normalmente descrito como moderado, tornou-se mais duro, segundo duas fontes iranianas. Araqchi questionou: "Como podemos confiar em vocês quando, na última reunião em Genebra, disseram que os EUA não atacariam enquanto a diplomacia estivesse em andamento?" O ataque conjunto israelense-americano ao Irã começou dois dias após aquela rodada anterior de negociações.

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Além das divergências sobre Ormuz e sanções, os lados também discordaram sobre o alcance de um eventual acordo, com Washington priorizando o tema nuclear e o estreito marítimo, enquanto Teerã defendia um entendimento mais amplo. Em um momento de maior tensão, vozes altas puderam ser ouvidas do lado de fora da sala de negociações, antes de mediadores solicitarem uma pausa para o chá e conduzirem as delegações de volta a salas separadas.

Oferta final e perspectivas futuras

Nos momentos finais das discussões, já na manhã de domingo, delegados dos EUA passaram a circular com mais frequência entre a sala principal e a área privada da delegação, afirmou uma autoridade paquistanesa. Uma fonte americana disse que o vice-presidente chegou às negociações com o objetivo de alcançar um entendimento rápido, mas Washington mantém desconfiança em relação a negociações prolongadas com o Irã, por considerar que Teerã utiliza táticas de atraso e evita concessões.

Apesar do impasse, as declarações de Vance ao anunciar o fim das conversas indicaram que novas rodadas ainda são possíveis. "Saímos daqui com uma proposta muito simples, um método de entendimento que é nossa melhor e final oferta", afirmou. "Veremos se os iranianos a aceitam". Ambos os lados têm motivos para buscar a redução da escalada, com os ataques dos EUA enfrentando resistência interna e o bloqueio do fornecimento de Ormuz pressionando a economia global, enquanto no Irã, os impactos econômicos da guerra ameaçam enfraquecer o governo internamente.