Irã anuncia fim temporário de negociações nucleares com EUA após tensões militares
Irã diz que negociações nucleares com EUA terminaram por enquanto

Irã declara fim temporário de negociações nucleares com os Estados Unidos após encontro tenso em Omã

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou, em declaração à TV estatal iraniana nesta sexta-feira (6), que as negociações sobre o acordo nuclear com os Estados Unidos terminaram "por enquanto". A declaração ocorre após um encontro bilateral realizado em Omã, que foi marcado por uma recente troca de ameaças militares entre os dois países e divergências profundas sobre os termos do diálogo.

Reunião em Omã sob o signo da tensão e das divergências

Irã e Estados Unidos se reuniram nesta sexta-feira (6), em Omã, para discutir um possível acordo sobre o programa nuclear iraniano. O encontro começou pouco antes das 5h, no horário de Brasília, segundo informações da agência de notícias Reuters. Antes da reunião bilateral, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, se encontrou com o chanceler do Omã, Sayyid Al Busaidi, em um gesto que antecedeu as conversas diretas com os norte-americanos.

Horas antes da aguardada reunião com os EUA, Araqchi fez declarações firmes, afirmando que o Irã estava pronto para defender seus direitos e que "entraria na diplomacia com olhos abertos e uma memória firme do ano passado". Ele enfatizou que "os compromissos precisam ser honrados" e que igualdade de posição, respeito mútuo e interesse mútuo não são meras retóricas, mas sim pilares essenciais para um acordo duradouro.

Contexto de aumento das tensões militares e divergências na pauta

O encontro ocorre em meio a um cenário de aumento das tensões no Oriente Médio, com o envio de reforços militares americanos para a região. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou preferir a via diplomática, mas deixou claro que pode optar por uma ação militar caso não haja acordo. Autoridades americanas e iranianas apresentam visões completamente diferentes sobre a pauta das negociações.

  • Os Estados Unidos desejam limitar o alcance dos mísseis balísticos iranianos, acabar com o apoio de Teerã a grupos armados na região e interferir em questões internas do país. A Casa Branca também defende a meta de "capacidade nuclear zero" para o Irã.
  • Por outro lado, o Irã defende que as conversas se concentrem exclusivamente em torno do programa nuclear do país, que o governo afirma ter fins pacíficos. Estados Unidos e Israel, contudo, acusam o Irã de buscar desenvolver armas nucleares.

Movimentações militares e preocupação internacional

As ameaças militares têm sido uma constante neste cenário. Os EUA enviaram soldados, um porta-aviões, navios de guerra, aviões de combate, aeronaves de vigilância e aviões-tanque para o Oriente Médio como forma de pressionar o Irã. Trump alertou que "coisas ruins" provavelmente acontecerão se não houver acordo. Em resposta, a TV estatal iraniana informou que um dos mísseis balísticos de longo alcance mais avançados do país, o Khorramshahr 4, foi posicionado em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária. Este míssil tem alcance de até 2.000 km e capacidade para transportar uma ogiva de até 1.500 kg.

A preocupação internacional com uma possível escalada do conflito é palpável. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou trabalhar para evitar que o confronto se transforme em um novo conflito no Oriente Médio. Países árabes do Golfo temem que bases americanas em seus territórios se tornem alvos em caso de ataque ao Irã. Além disso, o chanceler alemão, Friedrich Merz, expressou "grande preocupação" com uma possível escalada e pediu que o Irã ajude a trazer estabilidade à região. A China, por sua vez, declarou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças de força e sanções.

Próximos passos e expectativas para o futuro

Araqchi viajou para Omã na quinta-feira (5) com o objetivo declarado de alcançar um entendimento "justo, mutuamente aceitável e digno" sobre a questão nuclear. Ele deveria se reunir em Mascate com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro e assessor do presidente norte-americano. No entanto, com o anúncio do fim temporário das negociações, o futuro dessas conversas permanece incerto, deixando a comunidade internacional em alerta para os desdobramentos desta crise diplomática e militar.