O mundo testemunhou nesta quinta-feira (5) o fim do tratado nuclear New START, um acordo crucial que estabelecia limites para os arsenais nucleares estratégicos dos Estados Unidos e da Rússia. Este evento histórico gerou reações imediatas de diversos atores internacionais, em meio a temores generalizados sobre uma possível corrida nuclear descontrolada.
O que era o New START e sua importância
O tratado New START representava o último acordo de controle de armas entre as duas maiores potências nucleares do planeta. Assinado originalmente em 2010 pelos então presidentes Dmitry Medvedev da Rússia e Barack Obama dos Estados Unidos, o acordo entrou em vigor em 2011 e foi estendido por mais cinco anos em 2021, após a posse de Joe Biden.
Este tratado estabelecia limites rigorosos: cada país poderia manter no máximo 1.550 ogivas nucleares estratégicas prontas para uso, além de 700 mísseis balísticos intercontinentais e bombardeiros de longo alcance. O acordo também previa um sistema de inspeções mútuas, permitindo até 18 verificações anuais em locais estratégicos de armas nucleares, embora essas inspeções tenham sido suspensas desde março de 2020 devido à pandemia de Covid-19.
Reações internacionais ao fim do acordo
Posição da Rússia
O Kremlin manifestou publicamente seu pesar pelo término do tratado nesta quinta-feira. Contudo, em declarações anteriores, o governo russo já havia sinalizado sua preparação para um "novo mundo" sem restrições para armas nucleares. Dimitri Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança russo, fez uma provocação direta aos Estados Unidos na quarta-feira ao declarar que "o inverno está chegando", em referência à série televisiva Game of Thrones.
Silêncio dos Estados Unidos
Até o momento da última atualização desta reportagem, o governo norte-americano manteve um silêncio notável sobre o término do New START. Nenhuma autoridade oficial se manifestou desde que o acordo expirou na madrugada desta quinta-feira. Anteriormente, em janeiro, o presidente Donald Trump havia comentado brevemente sobre o tratado em entrevista ao jornal The New York Times, afirmando de maneira lacônica: "Se expirar, expirou".
Preocupação da União Europeia
A União Europeia emitiu um comunicado oficial nesta quinta-feira pedindo moderação a todas as partes envolvidas. Os líderes europeus demonstraram preocupação com as implicações globais do fim do acordo e enfatizaram a necessidade de diálogo contínuo para evitar escaladas perigosas.
Alerta das Nações Unidas
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, fez uma declaração contundente na quarta-feira, classificando o fim do New START como um "grave momento" para a paz e segurança internacional. Guterres destacou que "pela primeira vez em mais de meio século, enfrentamos um mundo sem quaisquer limites vinculantes aos arsenais nucleares estratégicos" das duas principais potências nucleares.
Apelo do Vaticano
O papa Leão XIV também se pronunciou sobre o assunto na quarta-feira, fazendo um apelo direto para que Estados Unidos e Rússia renovem seu acordo nuclear. O líder religioso afirmou que a situação mundial atual "exige que se faça todo o possível para evitar uma nova corrida armamentista", enfatizando a responsabilidade moral das nações envolvidas.
Contexto histórico e perspectivas futuras
O término do New START ocorre em um momento particularmente delicado das relações internacionais. As negociações para retomar as inspeções mútuas, originalmente agendadas para novembro de 2022 no Egito, foram adiadas unilateralmente pela Rússia sem definição de nova data.
Este desenvolvimento representa um retrocesso significativo nos esforços de controle de armas nucleares que remontam à Guerra Fria. Especialistas em segurança internacional alertam que a ausência de limites verificáveis pode levar a uma nova era de incerteza estratégica, com ambos os países possivelmente aumentando seus arsenais nucleares sem transparência ou supervisão internacional.
O mundo agora aguarda ansiosamente os próximos movimentos das duas potências nucleares, enquanto líderes globais e organizações internacionais continuam pressionando por um novo acordo que possa restaurar alguma medida de estabilidade e previsibilidade ao cenário de segurança nuclear global.