Fim do New START: EUA acusam China e mundo teme corrida nuclear
O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, voltou a acusar a China de realizar testes nucleares secretos nesta sexta-feira, dia 6. A declaração ocorre em um momento crítico, logo após o término do tratado New START, o último acordo de controle de armas nucleares entre as duas maiores potências atômicas do mundo: Estados Unidos e Rússia.
Acusações e expansão do arsenal chinês
Durante uma conferência sobre desarmamento na sede das Nações Unidas, o subsecretário dos EUA para o controle de armas, Thomas DiNanno, afirmou que o governo norte-americano está ciente de que a China realizou testes explosivos nucleares. Ele destacou que o arsenal nuclear da China carece de limites, transparência, declarações públicas e mecanismos de controle adequados.
"O arsenal nuclear inteiro da China não tem limites, nem transparência, nem declarações, nem mecanismos de controle", disse DiNanno, enfatizando a preocupação com uma expansão sem freios das capacidades atômicas chinesas.
Segundo levantamento do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), de janeiro de 2025, a China possuía ao menos 600 ogivas nucleares. Em comparação, os Estados Unidos e a Rússia, como maiores potências nucleares, detêm mais de 5.000 ogivas cada um.
Contexto de escalada e temores globais
Meses antes das acusações recentes, em novembro, o presidente Donald Trump já havia acusado tanto a China quanto a Rússia de conduzirem testes secretos de armas nucleares. Como resposta, Trump ordenou que os Estados Unidos realizassem testes similares, o que intensificou a retórica nuclear entre as potências mundiais.
Essa movimentação gerou temor generalizado por uma possível corrida armamentista, capaz de desestabilizar a segurança global. Testes nucleares são proibidos pelo direito internacional, conforme destacado pela Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO), que atua no controle de armas atômicas.
Fim do New START e negociações futuras
O tratado New START, que expirou recentemente, era o último acordo em vigor entre EUA e Rússia para limitar seus arsenais nucleares. Ele estabelecia limites para o número de ogivas atômicas estratégicas e impunha regras às capacidades militares de ambos os países.
Em publicação na Truth Social, Trump criticou o New START e sugeriu a negociação de um novo tratado "aprimorado e modernizado". Ele afirmou ter evitado guerras nucleares, mas defendeu que o acordo não deveria ser renovado na sua forma atual.
Fontes revelaram que EUA e Rússia estão negociando um prolongamento do tratado, com conversas avançando nas últimas horas, embora sem consenso definitivo. Uma autoridade da Casa Branca indicou que haverá notícias sobre o New START, sugerindo que um novo acordo deve incluir a China, mas sem fornecer detalhes ou prazos.
O que era o New START?
Assinado em 2010 e em vigor desde 2011, o New START foi estendido por mais cinco anos em 2021. O acordo impunha limites como:
- Não implantar mais de 1.550 ogivas nucleares estratégicas.
- Limitar a 700 mísseis e bombardeiros de longo alcance.
- Permitir até 18 inspeções anuais mútuas, suspensas desde março de 2020 devido à pandemia de Covid-19.
As negociações para retomar as inspeções, previstas para novembro de 2022 no Egito, foram adiadas pela Rússia, sem nova data definida. O fim deste tratado, combinado com as acusações contra a China, cria um cenário incerto que pode levar a uma proliferação perigosa de ogivas nucleares em escala global.