EUA concordam em desbloquear fundos iranianos congelados em troca de segurança no Estreito de Ormuz
EUA desbloqueiam fundos iranianos por segurança em Ormuz

Acordo entre EUA e Irã envolve liberação de fundos e segurança marítima

Em meio a negociações intensas realizadas neste sábado, 11 de abril de 2026, em Islamabad, capital do Paquistão, uma fonte do alto escalão do governo iraniano revelou à agência Reuters que os Estados Unidos concordaram em desbloquear fundos de Teerã que estavam congelados no Catar e em outros países. Segundo a mesma autoridade, em contrapartida, o Irã pode permitir a passagem segura de petroleiros no estratégico Estreito de Ormuz, uma hidrovia crucial para o transporte global de petróleo.

Contexto das negociações e pontos de atrito

As conversas reuniram representantes americanos, liderados pelo vice-presidente J.D. Vance, e iranianos, chefiados pelo chanceler Abbas Araghchi, com mediação do Paquistão. Um dos principais pontos de discordância envolve a inclusão do território libanês no acordo de cessar-fogo, algo que Israel e Washington negaram, apesar da afirmação paquistanesa de que estava contemplado. O Estreito de Ormuz, aberto brevemente na quarta-feira após o anúncio de trégua, foi rapidamente fechado pelo Irã devido aos continuados ataques israelenses contra o Líbano, onde combate a milícia pró-iraniana Hezbollah.

Outra autoridade ouvida pela Reuters afirmou que os Estados Unidos concordaram em liberar especificamente US$ 6 bilhões em fundos iranianos que estavam congelados sob custódia do Catar. Esses ativos, originalmente congelados em 2018, deveriam ter sido liberados em 2023 como parte de uma troca de prisioneiros, mas foram novamente retidos pelo governo do presidente Joe Biden após os ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel, perpetrados pelo Hamas, grupo aliado do Irã. O Ministério das Relações Exteriores do Catar não se manifestou sobre o assunto.

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Declarações inflamadas e condições prévias

O presidente americano, Donald Trump, utilizou as redes sociais na sexta-feira para enviar uma mensagem desdenhosa ao Irã, alegando que Teerã está em posição de desvantagem nas tratativas. "Os iranianos parecem não perceber que não têm outras cartas na manga, além de uma extorsão de curto prazo contra o mundo através do uso das vias navegáveis internacionais", disparou Trump, em aparente referência ao Estreito de Ormuz. "A única razão pela qual ainda estão vivos hoje é para negociar!", completou, minimizando o impacto do fechamento da rota, que a Agência Internacional de Energia considera responsável pelo maior choque de fornecimento de petróleo da história, já que por ali passa 20% do combustível consumido mundialmente.

Em paralelo, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, estabeleceu condições claras para o início de negociações efetivas sobre um cessar-fogo. Em uma publicação em rede social, Ghalibaf afirmou que as conversas ficarão interditadas até que duas medidas sejam cumpridas: um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos iranianos bloqueados no exterior. "Esses dois assuntos devem ser cumpridos antes do início das negociações", escreveu o parlamentar, marcando uma posição firme que não havia sido levantada como pré-requisito em rodadas anteriores.

Implicações e perspectivas futuras

O acordo promete ser um marco nas relações entre Estados Unidos e Irã, após cinco semanas de conflito que abalaram o Oriente Médio. A liberação dos fundos congelados, se concretizada, pode aliviar pressões econômicas sobre Teerã, enquanto a garantia de passagem segura no Estreito de Ormuz é vital para a estabilidade do mercado global de petróleo. No entanto, as declarações inflamadas de Trump e as condições rígidas de Ghalibaf indicam que o caminho para um acordo duradouro ainda é espinhoso, com desconfianças mútuas e interesses geopolíticos complexos em jogo.

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