Os Estados Unidos conduziram nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, mais uma operação militar no Oceano Pacífico, direcionada a uma embarcação suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas. O ataque resultou na morte de duas pessoas, conforme divulgado pelo Exército norte-americano em comunicado oficial.
Detalhes da operação e localização
A ação ocorreu em águas próximas à costa da Colômbia, segundo informações do Comando Militar dos Estados Unidos para a América Latina e o Caribe. O Comando Sul dos EUA compartilhou um vídeo em suas redes sociais que mostra o barco em movimento antes de ser atingido e explodir em chamas, ilustrando a natureza cinética da intervenção.
Na nota oficial, o comando confirmou o óbito de dois indivíduos, classificados como narcoterroristas. De acordo com os militares, a embarcação navegava por rotas conhecidas do tráfico de drogas no Pacífico Oriental e estava diretamente envolvida em operações de transporte de entorpecentes, justificando a medida defensiva.
Contexto político e diplomático
O anúncio do ataque foi feito poucas horas após o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmar que alguns dos principais traficantes ligados a cartéis da região teriam decidido suspender indefinidamente suas atividades devido aos recentes ataques cinéticos e altamente eficazes realizados no Caribe.
Na terça-feira anterior, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, esteve em Washington para uma visita oficial, reunindo-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Esse encontro ocorreu após semanas de trocas públicas de críticas e ameaças entre os dois governos, marcando um momento de tensão diplomática.
Estatísticas da Operação Lança do Sul
Com esta ofensiva mais recente, os números da chamada Operação Lança do Sul, campanha militar dos EUA voltada a barcos suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas, atingiram:
- Ao menos 128 pessoas mortas desde setembro de 2025
- 37 embarcações destruídas no mesmo período
Este foi o segundo ataque registrado em 2026, seguindo uma ação semelhante em 23 de janeiro, também no Pacífico. A administração Trump já realizou mais de 30 ataques desde o início da operação, embora nunca tenha apresentado provas públicas conclusivas de que as embarcações atingidas estivessem, de fato, ligadas ao tráfico ilícito.
Debates sobre legalidade e consequências
O presidente norte-americano defende que os Estados Unidos vivem um conflito armado com cartéis na América Latina, argumentando que os bombardeios são uma escalada necessária para conter o fluxo de drogas. No entanto, a legalidade da campanha tem sido alvo de intenso debate internacional e dentro dos próprios Estados Unidos.
Especialistas e representantes da Organização das Nações Unidas classificaram essas ações como execuções extrajudiciais e violações graves das leis dos conflitos armados, levantando questões éticas e jurídicas significativas.
Processos judiciais e repercussões
Na semana passada, familiares de dois cidadãos de Trindade e Tobago mortos em um ataque contra uma embarcação em outubro processaram o governo federal dos EUA. Eles descrevem a ação como crime de guerra e parte de uma campanha militar sem precedentes e manifestamente ilegal.
Este é o primeiro processo judicial tornado público relacionado à ofensiva, podendo colocar à prova a base jurídica utilizada por Washington para justificar os ataques. A campanha, iniciada no mar do Caribe, antecedeu a intervenção militar de 3 de janeiro, quando forças norte-americanas capturaram Nicolás Maduro em Caracas e o transferiram para uma prisão federal em Nova York.
Encontro entre Petro e Trump
O encontro entre Petro e Trump na Casa Branca durou mais de duas horas, ocorrendo num contexto de crise diplomática entre os países. Petro havia criticado o ataque americano contra a Venezuela no início do ano, enquanto Trump aumentou a tensão ao acusar o colombiano de também permitir o tráfico de drogas, similarmente a Nicolás Maduro.
Na véspera do encontro, o republicano afirmou que a relação entre eles estava melhor, sugerindo uma possível tentativa de distensão, embora as ações militares continuem a gerar controvérsia e impacto regional.